Movimento Cansei: a elite vai às ruas contra o ‘caos aéreo’
Há 19 anos, em 17 de agosto de 2007, ocorria em São Paulo o principal ato do “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”, mais conhecido como “Cansei”. Criado por iniciativa de João Doria, o movimento reunia socialites, empresários e celebridades e tinha por objetivo denunciar o “apagão aéreo” de 2006-2007, atribuindo sua responsabilidade ao governo Lula.
A iniciativa surgiu justamente no momento em que a aviação comercial se popularizava e os voos deixavam de um ser um meio de transporte restrito às camadas mais ricas da sociedade. A despeito da grande exposição midiática e do apoio de famosos, o “Cansei” não conquistou apoio popular. O movimento foi percebido como golpista e elitista e acabou se dissolvendo em poucas semanas.
A crise do sistema aéreo ocorreu, entre outros fatores, pela falta de investimentos em infraestrutura e pelo rápido crescimento do número de passageiros gerado pela ascensão da “classe C” nos primeiros mandatos de Lula. Com a economia crescendo a uma média de quase 4% ao ano, aliada à redução histórica do índice de desemprego, à política de valorização do salário mínimo (que atingiu seu maior valor relativo desde 1965) e à consolidação de programas sociais que reduziram a pobreza extrema em 75%, o Brasil assistiu ao período de maior mobilidade social de sua história.
Ao todo, 36 milhões de pessoas saíram da miséria e 60% dos brasileiros apresentaram incremento em sua renda. A ascensão social gerou uma “nova classe média”, que passou a financiar a casa própria, cursar a universidade, comprar motocicletas e automóveis e, principalmente, viajar de avião.
Tendo como enfoque essa clientela, as companhias aéreas empreenderam um processo de popularização das passagens. Dezenas de milhões de brasileiros começaram a frequentar os aeroportos pela primeira vez e a fazer viagens domésticas e internacionais — um privilégio até então restrito às classes mais abastadas. Dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) registraram que o Brasil teve um incremento de quase 60 milhões de novos passageiros durante os governos petistas.
A expansão do número de passageiros levou à criação de gargalos no sistema aéreo, agravando significativamente as deficiências e os problemas de capacidade que já se acumulavam há décadas. O país sofria com equipamentos defasados e com problemas na capacidade de processamento do sistema de controle de tráfego aéreo.
Os passageiros tinham de lidar com aeroportos lotados, longas filas nos guichês, congestionamento nas pistas de pouso e déficit de profissionais para o controle de voo. A situação se agravou ainda em 2006, após a crise financeira da Varig sobrecarregar as companhias aéreas e aumentar ainda mais as filas.
Visando explorar a situação em favor da narrativa antipetista, a grande imprensa não poupou esforços em elevar ao máximo o potencial dramático da crise.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.