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'Ópera do malandro' de Chico Buarque se renova com cores vivas em montagem que mistura umbanda, Anitta e teatro clown

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'Ópera do malandro' de Chico Buarque se renova com cores vivas em montagem que mistura umbanda, Anitta e teatro clown

José Loreto encarna o malandro da ópera de Chico Buarque na encenação de Jorge Farjalla Adriano Dória / Divulgação ♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO Título: Ópera do malandro Dramaturgia: Chico Buarque Direção: Jorge Farjalla Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Encenador de tintas fortes, Jorge Farjalla imprime cores vivas a um dos textos mais revisitados de Chico Buarque, “Ópera do malandro” (1978), em montagem em cartaz de quinta-feira a domingo no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro (RJ), até 30 de agosto, após cumprir vitoriosa temporada em São Paulo (SP).

Inspirado na narrativa de “A ópera do três vinténs” (1928), escrita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898 – 1956) com música de Kurt Weill (1900 – 1950) e com base na “Ópera dos mendigos” (1728), criação original do dramaturgo inglês John Gay (1685 – 1732), o texto de Chico Buarque está todo lá.

No entanto, o texto reaparece renovado por subtextos e por referências do teatro clown, das religiões de matriz afro-brasileira – precisamente a umbanda dos exus evocados na cena de Farjalla – e até de Anitta, cujo emblemático funk “Vai malandra” (2017) é embutido no pot-pourri da abertura em que o elenco mixa “O malandro” (1978) – versão de Chico para “Mack the knife” (1928), tema da ópera original de Brecht e Weill – e “A volta do malandro” (1985), tema do filme adaptado do musical de teatro.

Situada por Chico na Lapa, bairro de alta concentração dos malandros cariocas, a trama da “Ópera do malandro” ressurge em cena sem um tempo definido, mas sempre atual por retratar a bandidagem vigente no Brasil desde que o samba é samba.

Na cena povoada por cafetões e policiais corruptos, algozes de prostitutas (símbolos do povo oprimido na narrativa de Chico), a bandidagem é representada tanto pelo casal de cafetões Fernandes de Duran (Edgar Bustamante) e Vitória (Totia Meirelles) quanto – em linhagem mais popular – pelo protagonista Max Overseas Navalha, personagem confiado a José Loreto (na temporada carioca, o ator Tiago Barbosa se alterna com Loreto no papel-título da ópera).

A escalação de Loreto se revela acertada.

Solar, carismático e sedutor, José Loreto tem a verve de Max e torna crível a malandragem aliciante do personagem em atuação tão cativante que o redime da inabilidade vocal para entoar uma canção tão dilacerante como “Pedaço de mim” (1978), música confiada ao ator nos momentos finais da peça.

A propósito, a trilha sonora da “Ópera do malandro” é a melhor já produzida para um musical no teatro brasileiro.

O fenomenal conjunto de canções da trilha atravessa gerações com poder para atrair ouvintes dentro e fora da cena.

No todo, o elenco honra esse cancioneiro, a começar pelas duas atrizes e (ótimas) cantoras que interpretam Terezinha e Lúcia, rivais na luta pelo coração e o corpo de Max.

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