Avanços robóticos sem precedentes da China mostram limites da velocidade humana
PEQUIM, 28 Ago (Reuters) - Um humanoide fabricado na China bateu o recorde mundial de Usain Bolt nos 100 metros rasos nesta semana, um marco no desenvolvimento de robôs capazes de igualar e até mesmo superar as conquistas humanas.
Mas o robô não venceu Bolt correndo como ele, nem como qualquer ser humano, afirmam especialistas em ciência do esporte.
Em sua última e mais rápida corrida, o humanóide chinês Tiangong Ultra percorreu 100 m em 8,64 segundos, superando com folga o recorde mundial humano de Bolt, de 9,58 segundos. Isso equivale a uma velocidade média de quase 42 km/h para o robô.
“É um avanço notável na tecnologia, em que os humanóides conseguem manter o equilíbrio e correr em velocidade que os humanos não conseguem acompanhar”, disse Jung Moon-hyun, professor de ciência do esporte da Universidade Nacional de Chungnam, na Coreia do Sul.
Mas as diferenças entre a corrida de Bolt em Berlim em 2009, que bateu o recorde mundial e foi amplamente estudada, e as corridas dos robôs em Pequim também destacam tanto o poder das máquinas quanto as áreas, como tomada de decisão e percepção, nas quais eles apresentam deficiências, segundo outros especialistas.
Na largada, Bolt disparou dos blocos em Berlim com um tempo de reação relâmpago de 0,146 segundos. Os blocos de largada permitem que os velocistas humanos gerem força horizontal no início da corrida para ganhar velocidade.
O Tiangong, por outro lado, parte de uma postura desajeitada e ereta. Em sua primeira corrida de recorde mundial, ele também esperou quase um segundo inteiro para começar a se mover na largada, depois de aparentemente não ter registrado o sinal.
“Se pudessem usar blocos de partida, acredito que ficariam muito mais rápidos”, disse Iain Hunter, professor de ciência do exercício na Universidade Brigham Young e cientista esportivo da USA Track and Field.
Hunter estima que Bolt teria atingido a marca de cinco metros quase 2 segundos à frente do Tiangong.
Mas é aí que as vantagens do robô começam a aparecer. O desenvolvedor do Tiangong Ultra disse que redesenhou partes do torso e da cintura do robô para reduzir o peso e o esforço necessário para mover o corpo durante a corrida.
Também aprimorou os motores, a amplitude de movimento e o software de controle do robô, segundo Guo Yijie, gerente do departamento de inovação em humanóides.
O resultado: uma cadência quase sobre-humana de passos mais curtos. Bolt completou os 100 metros em 41 passos. O Tiangong parece dar mais de 50 passos para terminar sua primeira corrida que quebrou o recorde mundial, mas esses passos são muito mais rápidos do que os de Bolt, como mostra uma análise da Reuters do vídeo da corrida.
Park Suhan, professor de robótica da Universidade Kwangwoon, na Coreia do Sul, disse que a marcha do robô pareceu refletir o que seus motores fazem de melhor, em vez de uma tentativa de imitar a corrida de velocidade humana.
Parunchaya Jamkrajang, cientista do esporte da Universidade Mahidol, na Tailândia, disse que os passos menores e mais curtos podem ajudar os robôs a manter o equilíbrio. “Eles tentam aumentar a velocidade, mas se a passada ficar muito larga, eles cairão”, disse ela.
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