Justiça aceita pedido de recuperação extrajudicial da Braskem
A Justiça de São Paulo deferiu o processamento da recuperação extrajudicial da Braskem e de determinadas subsidiárias. Com a decisão, ficam suspensas por 120 dias as execuções e medidas de cobrança contra as empresas abrangidas pelo processo. A companhia terá agora 90 dias para comprovar a adesão necessária dos credores ao plano de reestruturação.
Braskem informou que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo deferiu o processamento do pedido de recuperação extrajudicial da companhia e de determinadas controladas. A decisão dá continuidade ao plano anunciado pela petroquímica em fato relevante divulgado em 24 de agosto e marca mais uma etapa do processo de reestruturação financeira do grupo.
Segundo a empresa, o juízo confirmou a suspensão, por 120 dias, das execuções movidas por credores sujeitos à recuperação extrajudicial. A medida também interrompe a contagem da prescrição das obrigações das recuperandas, além de suspender ações judiciais, execuções, pedidos de falência e ordens de retenção, penhora, arresto, sequestro, busca e apreensão sobre bens abrangidos pelo processo, conforme previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências.
Braskem informou ainda que terá prazo de 90 dias para comprovar a adesão necessária de credores ao plano de recuperação extrajudicial, requisito para sua homologação definitiva pela Justiça. A íntegra da decisão será disponibilizada nos canais de relações com investidores da companhia, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da B3.
Pedido de recuperação extrajudicial tem objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, diz a empresa. Segundo fato relevante, a Braskem diz que o ambiente protegido é "adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias no montante aproximado de US$ 10,9 bilhões".
Braskem teve rebaixamento de sua nota de crédito pelas agências globais de classificação de risco . Isso ocorreu após a petroquímica obter uma liminar na Justiça de São Paulo e nos Estados Unidos para suspender cobranças de credores financeiros por 60 dias. As agências Fitch Ratings e S&P (Standard & Poor's) cortaram as notas da empresa para C e D no fim de junho de 2026.
Inadimplência da subsidiária mexicana Braskem Idesa pressionou as contas da petroquímica no exterior . A unidade do México acumula um endividamento líquido de US$ 2,29 bilhões, o que equivale a 19,25 vezes o Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) recorrente. Sem caixa, a subsidiária suspendeu o pagamento de juros de seus títulos em novembro de 2025 e fevereiro de 2026, iniciando negociações de reestruturação judicial sob as regras do mecanismo "Chapter 11" , da legislação norte-americana.
Desastre geológico em Maceió, iniciado em maio de 2019, consumiu R$ 15,80 bilhões em caixa . A extração de sal-gema em Alagoas levou a empresa a reservar R$ 18,17 bilhões para pagar indenizações a moradores e acordos de compensação. Houve acerto de R$ 1,7 bilhão com a prefeitura municipal em julho de 2023 e de R$ 1,2 bilhão com o governo estadual em novembro de 2025.
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