Islândia vota neste sábado se inicia negociações de adesão à União Europeia
Os islandeses votam neste sábado (29) sobre a retomada das negociações de adesão à UE (União Europeia), com a população dividida após meses de debate centrado no custo de vida, na segurança e no controle das águas de pesca.
A disputa está acirrada , sem um favorito claro.
Uma pesquisa do instituto Gallup sugeriu, na sexta-feira (28), que uma pequena maioria se opõe à retomada das negociações, invertendo ligeiramente a tendência de pesquisas anteriores que apontavam uma pequena vantagem para os defensores das conversas.
Os defensores do “sim” argumentam que a adesão ao bloco poderia aliviar as altas taxas de juros e oferecer mais segurança em um mundo abalado pela guerra na Ucrânia e pelas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação a outra ilha do Ártico: a Groenlândia.
Leia mais Países da UE querem retomar debate sobre recursos russos bloqueados Merz reúne líderes europeus para discutir orçamento da UE União Europeia diz que irá ajudar Nepal e China após enchentes devastadoras Já os defensores do “não” argumentam que a adesão à UE ameaçaria a soberania da ilha e o controle de suas águas de pesca.
Caso os eleitores votem pelo “sim”, isso apenas abriria caminho para discussões com Bruxelas.
A Islândia teria de realizar um segundo referendo — provavelmente daqui a alguns anos — para decidir se realmente aderiria ao bloco.
Questões antigas, nova urgência “Acho que a Islândia está melhor fora da UE”, disse a ex-primeira-ministra Katrin Jakobsdottir a jornalistas, após discursar em um evento da campanha pelo “não” em Reykjavik, na quinta-feira.
“Para um país como o nosso, com uma economia pequena, é muito importante manter nossa soberania e não transferir para a UE mais poder do que seríamos obrigados a fazer”, afirmou.
A Islândia solicitou a adesão à UE pela primeira vez em 2009, em meio a uma crise financeira que atingiu duramente a vulnerável economia do país.
As negociações foram encerradas em 2013, quando um governo eurocético suspendeu o processo.
A recente instabilidade geopolítica trouxe nova urgência a uma questão que os islandeses debatem, de forma intermitente, há décadas.
A ministra das Relações Exteriores, Thorgerdur Gunnarsdottir — que apoia o “sim” —, disse à Reuters na semana passada que a votação de sábado se resume a uma pergunta simples: pode a Islândia se dar ao luxo de permanecer isolada em um mundo onde antigas certezas estão ruindo? “A ordem internacional que sustentou nossa segurança e prosperidade por décadas está sob forte pressão”, afirmou ela.
“Em momentos como este, as pequenas nações precisam refletir cuidadosamente sobre sua posição e sobre quem está ao seu lado”.
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