O que o Flamengo perde e ganha com a venda de Plata aos russos?
O atacante equatoriano viveu altos e baixos com a camisa rubro-negra. Já caiu nas graças e foi questionado por técnicos e torcida em momentos distintos. Um jogador de paradoxos.
Plata é titular frequente de Leonardo Jardim e já foi "faz-tudo" na formação de ataque do então técnico rubro-negro Filipe Luís.
Nesta janela de transferências, vai render R$ 72 milhões, segundo o acordo feito como Dínamo Moscou, da Rússia.
Em termos financeiros, o valor é maior do que o Flamengo pagou para trazê-lo do Al-Sadd, do Qatar, em 2024. Na operação, o clube carioca registrou um investimento total de R$ 69 milhões, sendo R$ 60,7 milhões em direitos federativos e luvas, além de R$ 8,3 milhões com intermediação.
Em um Flamengo que está em busca de jogadores abaixo de 26 anos no mercado para rejuvenescer, a negociação de Plata faz o clube se desfazer de quem ajudava a baixar a média de idade: ele tem 25 anos.
O equatoriano era importante sem a bola, habilidoso com ela, mas mostrou dificuldades na hora de balançar as redes.
Muito embora tenha um gol de título da Copa do Brasil 2024 para chamar de seu — motivando um apelido provocativo da torcida do Fla para o estádio do Atlético-MG, a "Arena Gonzalo Plata" —, somou nove gols ao longo de 99 jogos.
Em 2026, o jogador chamou mais atenção por ter marcado pelo Equador diante da Alemanha na Copa do Mundo do que por qualquer outro feito no Flamengo.
Na questão tática, Plata é importante quando Leonardo Jardim opta por uma formação mais intensa fisicamente. Especialmente em jogos da Libertadores.
Se é capaz de fazer pressão na zaga adversária, o equatoriano também consegue recompor bem pelo lado direito quando o time abaixa as linhas de marcação está sem a posse.
A saúde de Plata é daquelas que o fez ser usado nos dois lados do campo, como um segundo atacante e até mesmo como centroavante — Filipe Luís por vezes era criticado por isso.
Embora tenha poucos gols, nenhum jogador do elenco atual reúne todas as características de Plata.
Em termos comportamentais, Plata gerou preocupação pelos momentos de indisciplina em campo no ano passado. Foi expulso três vezes — em uma delas, na Libertadores, de forma equivocada, a ponto de a Conmebol revogar o efeito da suspensão automática. O que ele fez na fase posterior? Foi expulso de novo e ficou fora da final.
Neste ano, Leonardo Jardim chegou a deixar Plata fora até da lista de relacionados porque o jogador "estava tendo dificuldades de integração". Um eufemismo para apontar a desconexão com o jogo.
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