Crédito responsável: a virada que o Febraban Tech 2026 escancarou
Febraban Tech 2026 | Foto: Divulgação *Por Marcella Calfi, gerente de marketing da Zoop Acompanhar a abertura do Febraban Tech 2026 de perto foi perceber, quase em tempo real, que o setor financeiro brasileiro atravessou um ponto de virada.
O evento cresceu 71% em área, migrou para o Distrito Anhembi e organizou sua programação em 13 trilhas (números que, à primeira vista, falam de porte).
Mas o que realmente chamou minha atenção como profissional que vive o dia a dia da infraestrutura de pagamentos foi o conteúdo por trás dessa expansão: o setor não está discutindo apenas tecnologia, passamos a discutir, com todas as letras, sobre crédito responsável.
Essa mudança não é sutil.
Quando os setores de telecomunicações, energia, agronegócio, mobilidade e indústria dividem o mesmo palco com bancos e fintechs, fica claro que os desafios de conectividade, dados e segurança já não pertencem a um único setor.
E quando o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, escolhe abrir sua fala tratando do uso inadequado do crédito, o recado para quem constrói produtos financeiros é direto: escalar não é mais suficiente.
É preciso escalar bem.
O paradoxo que o Pix escancarou Os números do Pix apresentados no evento impressionam por qualquer ângulo que se olhe: 80 bilhões de transações em 2025, R$ 35 trilhões movimentados, 900 milhões de chaves cadastradas.
Como alguém que trabalha todos os dias com infraestrutura de pagamentos, sei o quanto essa adoção representa uma verdadeira conquista de inclusão financeira, inclusive entre a população de baixa renda, com 74% dos adultos do CadÚnico já com chave Pix registrada.
Mas o próprio Banco Central fez questão de colocar o dado ao lado do seu contraponto mais desconfortável: dos 96 milhões de usuários de cartão de crédito no país, 52,8 milhões carregam dívida no rotativo ou no parcelamento com juros.
Ou seja, o Brasil resolveu o acesso e agora precisa resolver a qualidade do crédito.
Não é mais uma questão de quem entra no sistema financeiro, e sim de que produto essa pessoa encontra quando chega lá.
Sinais de alerta que o mercado não pode ignorar A apresentação do Banco Central detalhou quatro frentes em que o crescimento do crédito vem acompanhado de deterioração de risco: consignado privado CLT, cartão de crédito, crédito pessoal não consignado e financiamento de veículos.
Em todas elas, saldo e inadimplência sobem juntos, e a ausência de garantia aparece como o fator que mais encarece as operações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em startups.com.br — o conteúdo pertence a Startups.com.br.