Ar-condicionado já consome quase um terço da eletricidade global nos horários de pico
Calor em alta faz do aparelho um meio de adaptação e de sobrevivência, mas uso de termelétricas para atender demanda preocupa
As frequentes e cada vez mais intensas ondas de calor ao redor do globo estão transformando o ar-condicionado de item de conforto em necessidade, com efeitos crescentes sobre a demanda por eletricidade e nas emissões. Cerca de 400 milhões de condicionadores de ar foram colocados no mercado global nos últimos dois anos. Essa refrigeração já consome cerca de 2.900 trilhões de watts-hora por ano — mais que toda a eletricidade usada na União Europeia —, equivalentes a 10% da demanda mundial e até 30% nas horas de pico, mostrou a Agência Internacional de Energia.
No Brasil, o recorde de 5,88 milhões de aparelhos foi comercializado em 2024, ou 38% acima dos 4,26 milhões de 2023. A fabricação de aparelhos split foi de 6,4 milhões no ano passado, após 5,9 milhões em 2024 e 3,8 milhões em 2023. Assim, as vendas saltaram 67% em apenas dois anos.
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Outro relatório da Agência Internacional de Energia apontou que, no Brasil, cada 1°C a mais na temperatura média pode acrescentar 3,6 GW à demanda de eletricidade nos períodos de pico. Essa potência é pouco maior que a capacidade de geração no Mato Grosso do Sul, conforme dados da Aneel.
Essa escalada se reflete nas contas mensais dos brasileiros. Segundo a EPE, enquanto a quantidade de aparelhos quase dobrou, seu consumo residencial mais que triplicou entre 2005 e 2017. Já no ano passado, o consumo residencial de eletricidade cresceu 1,5%, puxado também pela climatização.
Na prática, essas disparadas em vendas e no uso de energia estão ligadas a uma mudança de visão e função desses aparelhos, forçada pela crise do clima e suas ondas de calor cada vez mais fortes e frequentes.
Por décadas, o equipamento foi tratado só como parte do problema climático por consumir eletricidade, usar gases de efeito estufa e jogar calor para fora dos prédios. Agora, em muitos pontos do planeta, refrigerar casas, hospitais, escolas e locais de trabalho se tornou uma medida de adaptação que pode salvar vidas.
Afinal, num mundo em aquecimento, pode haver situações em que gestantes, bebês, idosos, doentes e outras pessoas vulneráveis não poderão descartar o ar-condicionado, avaliou Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa . “É uma questão de dignidade, mas também de saúde”, disse.
O problema é que isso alimenta um “ciclo vicioso”, com mais calor estimulando a compra de mais aparelhos consumidores de eletricidade. E, dependendo de como ela é gerada, da eficiência dos equipamentos e dos gases que usam, isso se traduz em ainda mais emissões e mais aquecimento global.
A luta contra o calor acachapante moldou até um novo período de pico no Brasil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.