Selic cai para 13,75%: vale a pena tentar renegociar dívidas?
O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, a taxa básica de juros no Brasil, pode ser uma oportunidade para clientes do sistema financeiro reavaliarem o custo que têm com suas dívidas. Segundo analistas, embora o impacto dessa redução decidida ontem pelo Banco Central seja limitado neste momento, o ciclo de queda que vem desde março já pode ser usado como justificativa para abrir uma renegociação ou buscar a portabilidade das operações, em busca de alongamento de prazos ou redução de taxas.
Banco Central cortou a taxa básica de juros da economia brasileira. Após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a chamada Selic foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano.
Essa foi a quinta redução seguida. Desde que os cortes começaram, em março, a Selic caiu de 15% para 13,75%. Essa taxa é a referência da economia brasileira. É a partir dela que são definidos os juros das operações de empréstimos e financiamentos, como crédito pessoal, consignado e parcelas de compras parceladas. Quando a Selic cai, as demais taxas passam a ter uma base inicial menor.
Quem tem financiamento com juros altos pode tentar renegociar a dívida para pagar menos. Como a Selic já caiu mais d eum ponto percentual desde março, quem tem dívidas pode checar se a as taxas de juros atuais podem ser renegociadas com a instituição financeira em que contratou a operação.
É possível negociar diretamente com o banco atual para tentar conseguir taxas de juros menores. O cliente deve pedir o DDC (Documento Descritivo do Crédito) para saber o saldo devedor exato e propor um novo acordo mais barato, com base na Selic menor do que no momento da contratação do crédito.
Caso o banco não ofereça uma proposta vantajosa, há como pedir a portabilidade da dívida para outra instituição financeira. Nesse caso, o BC indica os devedores a pesquisarem as ofertas de outros bancos. Dessa forma, é possível comparar o custo efetivo total e solicitar a transferência diretamente na nova instituição escolhida, que cuidará de todo o processo de migração de forma gratuita.
Dívidas pós-fixadas são as mais beneficiadas com a redução da taxa Selic. O planejador financeiro Edson Cerqueira, da Planejar, afirma que empréstimos pessoais, crédito consignado e financiamentos imobiliários têm impacto mais rápido à redução da Selic, ao contrário do cheque especial, cujo custo depende do risco de inadimplência.
Corte de 0,25 ponto percentual tem impacto limitado no curto prazo, mas é indicador sobre o futuro da economia, diz especialista. Segundo Carla Beni, professora de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), esse nível de corte funciona principalmente como uma sinalização ao mercado de que a Selic pode vir a cair de forma significativa em breve, mas não alivia dívidas da maioria dos brasileiros.
As taxas de juros são usadas para equilibrar a inflação e o estímulo ao consumo. Quando o BC deseja baixar a inflação ou evitar novas altas, tende a elevar os juros. Quando as taxas são altas, o consumo é desestimulado, já que financiamentos e empréstimos ficam mais caros.
No Brasil, a taxa de juros desce de escada e sobe de elevador.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.