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Além da crise no STF, mal-estar com economia cresce no eleitorado

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Além da crise no STF, mal-estar com economia cresce no eleitorado

Enquanto a campanha do presidente Lula (PT) lida com o desgaste da crise no Supremo Tribunal Federal, uma insatisfação mais silenciosa com o governo vem crescendo mês a mês nas pesquisas.

A parcela de eleitores que diz que a economia piorou foi de 43% para 49% desde janeiro, segundo uma pesquisa da Quaest do começo de setembro. A preocupação com economia saltou de 12% para 19%, no mesmo período.

O endividamento segue o mesmo padrão: quem diz ter muitas dívidas foi de 21% em julho para 28% em setembro, segundo o instituto de opinião.

"O estreitamento da diferença nas pesquisas das últimas semanas mostra que o escândalo no STF bateu mais em Lula, mas isso enraíza um pessimismo geral com o futuro do país", afirma Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia, firma de consultoria de risco.

Segundo ele, num quadro de eleição acirrada os modelos de previsão costumam apontar vantagem para quem está no poder, mas os fatores econômicos podem pesar na reta final.

"Os custos das famílias, da classe média, da classe C, estão mais altos e há um ciclo de endividamento atingindo um contingente grande. São fatores importantes", analisa.

Para o economista João Pedro Leme, da Tendências Consultoria Econômica, a maneira como a economia é percebida pelo eleitor desafia o entendimento convencional segundo os qual inflação e desemprego têm maior peso na sensação de bem-estar de quem vai às urnas.

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE. É a taxa mais baixa da série histórica iniciada em 2012.

Já o IPCA acumulado nos últimos 12 meses (até agosto de 2026) é de 4,22%, o que está dentro da meta de inflação (3% ao ano, com um intervalo de tolerância entre 1,50% e 4,50%).

"Os índices que costumam ser olhados classicamente em macroeconomia, como desemprego e inflação, não vão mal. Mas a situação para pessoas físicas, de forma geral, em termos de endividamento e em termos dessa inflação surpresa [causada por fatores externos, como preço do petróleo] piorou", disse Leme, ao UOL.

"Você tem, sim, de fato, uma desaceleração gradual da economia", afirma.

Para os especialistas, a crise no STF não criou o mal-estar econômico no eleitorado, mas deu contorno político a uma insatisfação que já vinha crescendo sozinha havia meses. Mas ainda é cedo para dizer se os efeitos sobre a eleição serão duradouros.

"Antes da sessão [do STF], Lula já vinha parando de sangrar nas pesquisas. Não sei se o evento dessa semana vai ser determinante, é necessário acompanhar o que acontece nas próximas semanas, como novos vazamentos e o noticiário sobre corrupção nas próximas semanas", pondera Garman, da Eurasia.

Com a ressalva de que ainda falta uma pesquisa medir o impacto da sessão que terminou em bate-boca no Supremo na terça, Leme, da Tendências, afirma que Lula foi atingido pelo desgaste das ligações ainda não esclarecidas do ministro Alexandre de Moraes com o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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