O ‘prêmio’ do Brasil diminuiu: O que muda para os seus investimentos
O Banco Central e o Federal Reserve seguiram caminhos opostos nesta quarta-feira (16).
Enquanto o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual , para 13,75% ao ano, a autoridade monetária norte-americana elevou os juros em 0,25 ponto , para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.
Na prática, os movimentos reduzem o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que considerando o teto da taxa americana passou de 10 pontos percentuais para 9,75 pontos.
A distância continua elevada, mas seu estreitamento mexe em uma engrenagem importante dos mercados: quanto maior a diferença entre os juros brasileiros e americanos, maior tende a ser o incentivo para investidores assumirem o risco de aplicar no Brasil em busca de retornos superiores.
Com essa vantagem diminuindo, o que muda para o investidor brasileiro? Especialistas ouvidos pelo Money Times concordam que a renda fixa continua atrativa, mas enxergam espaço para uma mudança gradual dentro das carteiras, principalmente dos pós-fixados para prefixados e títulos atrelados à inflação .
Diferencial menor pode mexer com o dólar? Para Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, a redução do diferencial diminui o chamado carry trade , estratégia na qual investidores captam recursos em mercados de juros menores para aplicá-los onde as taxas são mais elevadas.
“Um diferencial menor reduz o ‘carry’ que tem atraído capital estrangeiro para renda fixa brasileira nos últimos anos”, afirma.
Segundo Freitas, isso pode reduzir o apetite dos estrangeiros pelos títulos públicos brasileiros e, consequentemente, afetar o fluxo de dólares para o país.
O reflexo também pode aparecer no câmbio.
“Esse é o canal clássico: diferencial menor, carry trade menos atrativo, menos fluxo de dólares entrando e pressão de alta no USD/BRL, tudo mais constante”.
O especialista ressalta, porém, que dificilmente apenas o diferencial de juros determina o comportamento da moeda.
Fatores domésticos, especialmente o cenário político e fiscal , também entram nessa conta.
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, tem uma leitura mais cautelosa sobre o impacto cambial.
Para ele, a redução do diferencial não deve, por si só, provocar um movimento relevante do dólar neste momento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.