Festival Mirada reúne 15 países e debate tempo, migração e festa na Baixada Santista
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As festas, a comicidade e a cosmovisão andina inspiraram os curadores da oitava edição do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc São Paulo, na Baixada Santista , na escolha dos espetáculos que farão parte da mostra equatoriana, uma das atrações do evento.
O festival bienal, realizado de 3 a 13 de setembro, homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 41 espetáculos de 15 países, além de 16 ações formativas em Santos , Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
Os temas abordados são os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e a relação entre trabalho, ócio e tempo.
Os curadores selecionaram sete obras do Equador após percorrerem festivais e dialogarem com artistas e programadores locais. Uma delas, "Me-de-as", do Colectivo Mitómana, abre o Mirada no dia 3, às 20h, com um espetáculo que discute a maternidade e o patriarcado com dança e canto.
Outro destaque do país homenageado é a performance "La Trocha", da Runga Arte Experimental em parceria com a argentina Melina Seldes, em que a atriz Johana Sánchez Armas explora a experiência corporal de atravessar a fronteira entre Colômbia e Equador. Os "trocheros" são pessoas que se arriscam a migrar de um país a outro cruzando as "trochas" (trilhas).
Também do Equador o público poderá conhecer "Papakuna - Agroteatro Cômico Musical", da Colectiva Yama, uma celebração às tradições andinas e ao cultivo de batatas nativas como resistência à colonização alimentar.
As mostras nacional e internacional terão cada uma 17 espetáculos, com estreias e obras já vistas pelo público em outras cidades.
Entre as estreias nacionais está "...ao mesmo tempo…", com os grupos Lume, de Campinas, e Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, sob a direção de Georgette Fadel . No espetáculo, que terá apresentações ao ar livre em Santos e São Vicente, os personagens tentam organizar uma celebração enquanto investigam a memória e a passagem dos dias.
As transformações do tempo foram o mote de um bate-papo com a presença de Fadel e do ator mineiro Marcos Coletta no lançamento da programação do festival, nesta quarta-feira (12), no Teatro Anchieta (Sesc Consolação).
Ele falou sobre " Velocidade ", que o Grupo Quatroloscinco - Teatro do Comum vai apresentar na segunda semana do Mirada, como um convite para o público repensar o ritmo da vida contemporânea.
A peça é estruturada como parte de um livro e aborda a percepção do tempo segundo relações familiares, de trabalho, memórias de infância, sonhos e incertezas sobre o futuro. A voz pausada dos atores em cena faz os espectadores compararem a encenação a uma meditação.
Fadel, por sua vez, abordou a sobrevivência dos grupos teatrais sob as pressões do capitalismo. Segundo ela, os processos teatrais estão "escangalhados" e há um massacre do pensamento.
A atriz e diretora comparou montagens de que participou há quase duas décadas com as de agora, muito mais apressadas e sujeitas a prazos curtos e exigentes.
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