Multinacionais chinesas de energia sinalizam interesse no Brasil e disputam mercado de baterias
A multinacional chinesa de energia renovável Envision Energy avalia instalar uma fábrica no Brasil para produzir baterias e turbinas eólicas, de acordo com informações confirmadas à agência de notícias Reuters pelo diretor de soluções e de relações institucionais da companhia no Brasil, Marcello Trombelli.
A confirmação da intenção veio durante o evento Brazil Windpower, realizado com representantes do setor de energia renovável nesta semana.
De acordo com Trombelli, a Envision já mantém conversas com representantes do governo federal e de governos estaduais para negociar benefícios fiscais e possibilitar investimentos .
Entre os principais incentivos esperados pela companhia estão a redução temporária do Imposto de Importação para bens de capital e de informática e telecomunicações, desde que não haja produção nacional equivalente, necessários para a instalação da infraestrutura produtiva da empresa no Brasil.
O mercado de energia brasileiro passa por dificuldades relacionadas à alta capacidade de geração e à baixa capacidade de armazenamento.
O principal dilema é o curtailment , que ocorre quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina que usinas eólicas e solares reduzam ou interrompam sua produção, mesmo em condições favoráveis de geração, porque a rede não consegue absorver ou escoar toda a energia disponível.
Em 2027, os cortes devem atingir aproximadamente 19% das horas do ano, com interrupções entre 3 GW e 3,5 GW de capacidade.
Já em 2030, esse percentual tende a cair para cerca de 14%, em razão da adaptação gradual do sistema elétrico às novas condições operacionais, e os cortes recuam para algo entre 2 GW e 2,3 GW.
Leia também: Um dos líderes mundiais da energia renovável, Brasil vai desperdiçar 40 GW por ano até 2030 – Revista Fórum Atualmente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) tem estimulado a realização dos leilões de baterias , para contratar sistemas que permitem armazenar energia em larga escala para distribuição posterior.
Os próximos leilões, aprovados por meio de editais do órgão, estão previstos para os dias 2 e 4 de dezembro de 2026, e serão realizados exclusivamente pela internet.
Os contratos têm duração de 15 anos, com início do fornecimento de potência previsto para 1º de agosto de 2028.
O primeiro busca contratar sistemas que atendam aos critérios de nacionalização dos equipamentos, enquanto o segundo não exige a fabricação nacional de baterias.
A política pública procura, de um lado, contratar recursos capazes de contribuir para a segurança do sistema elétrico e, de outro, criar condições para desenvolver uma cadeia industrial brasileira de armazenamento de energia.
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