Pintar Tarcísio como moderado é uma falsificação
Tarcísio de Freitas reconheceu a vitória de Lula e disse ter recomendado a Flávio Bolsonaro que ficasse no Brasil.
Quanto ao resultado da eleição presidencial, não cumpriu mais do que sua obrigação republicana.
Quanto à tentativa singela de demover o candidato derrotado da ideia de fugir do país, a conduta de um homem público com anseios de estadista seria tomar providências para impedi-lo.
O isolamento de um indisfarçado golpista não torna democrático seu entorno.
O comportamento de Tarcísio de Freitas, no caso em tela, decorre do fato de que o cancelamento dos Bolsonaros abre-lhe, finalmente, as portas da candidatura em 2030.
Salta aos olhos, em paralelo, a insistência de parte da mídia em pintar o governador paulista com as cores da moderação, o que, certamente, persistirá até o pleito presidencial de 2030.
Faz tempo que ele é o preferido dos conservadores.
De hoje a outubro de 2030, a imprensa progressista precisa martelar o verdadeiro perfil de Tarcísio, um governante que revela toda sua truculência ideológica no campo da segurança pública.
Como noticiado pela pendular Folha de S.Paulo, as Polícias Militar e Civil paulistas, sob Tarcísio de Freitas, matam uma pessoa a cada 12 horas.
Assim relatou o Berliner da Barão de Limeira: “A frequência (de mortes pela Polícia) é cerca de 70% maior que a registrada em 2022, último ano da gestão João Doria/Rodrigo Garcia, quando foram ampliadas medidas de redução da letalidade e o intervalo médio entre mortes era de 20 horas e 48 minutos.
O levantamento da Folha considera registros de intervenções de policiais em serviço e de folga, conforme contabilizados pelo governo”.
Os números assustadores fazem jus a declarações pregressas do governador reeleito e apagam qualquer rastro de moderação do seu currículo político.
“Não existe combate ao crime organizado sem efeito colateral.
Me desculpa, não tem”, declarou Tarcísio em agosto de 2023, ao defender a operação deflagrada após o assassinato de um policial militar no litoral paulista.
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