Construtora paga R$ 1,4 milhão a oficina de fachada ligada a deputados
Uma construtora que mantém contratos milionários com o governo do Piauí pagou R$ 1,4 milhão a empresa de fachada ligada ao deputado federal e candidato a senador Júlio César (PSD-PI) e ao filho dele, o deputado estadual Georgiano Neto (PSD-PI).
Desde 2022, a Construtora Hidros Ltda firmou quase R$ 1 bilhão em contratos com o estado do Piauí.
A maioria deles foi realizada junto à Secretaria dos Transportes (Setrans), que é comandada há três anos por um forte aliado dos deputados.
Jonas Moura Araújo, o secretário dos Tranportes, agora também é coordenador da campanha de Júlio César ao Senado.
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1 de 2 Deputado federal Júlio César (PSD-PI) Divulgação/ Câmara dos Deputados 2 de 2 Deputado estadual Georgiano Neto (PSD-PI) Divulgação/ Alepi Informações publicadas em sites locais mostram Georgiano Neto como “viabilizador” de obras realizadas na gestão de Rafael Fonteles (PT) pela Construtora Hidros, o que reforça a influência do parlamentar sobre a Setrans.
Enquanto ganhava contratos, a construtora pagou R$ 1.423.450,19, em 2025 e 2026, a uma oficina que acumula evidências de ser fantasma.
Aberta em novembro de 2024, a WMC Jr Auto Center está em nome do filho de um assessor do deputado Júlio César.
Além disso, a empresa declarou à Receita Federal funcionar em um posto de gasolina em Teresina, mas não há indícios de que uma oficina funcione no local.
Construtora repassa R$ 1,4 milhão a empresa de fachada ligada ao deputado Júlio César (PSD-PI) Desde sua abertura, a WMC Jr Auto Center emitiu 14 notas fiscais.
Todas elas foram faturadas para cobrar a Construtora Hidros por serviços de manutenção e reparação de veículos, lanternagem, pintura, alinhamento, lavagem, reboque e óleo diesel.
Os documentos mostram, portanto, que a oficina tem apenas um cliente, a Construtora Hidros, o que reforça os indícios de se tratar de uma empresa de fachada.
Cinco das notas fiscais foram emitidas em agosto de 2025, em um total de R$ 463 mil; outras cinco, em novembro de 2025, somam mais R$ 600 mil; a última, no valor de R$ 360 mil, foi faturada em maio deste ano.
Outras três notas fiscais foram canceladas.
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