Falhas de gestão ampliam pressão sobre crédito para o produtor rural
Bancos defendem que produtores rurais melhorem a organização financeira e a qualidade das informações sobre seus negócios para ampliar o acesso ao crédito e facilitar a negociação em momentos de dificuldade.
Em painel sobre o mercado de crédito rural, executivos do Santander e Itaú BBA afirmaram que, além do cenário de juros elevados, problemas de gestão e de comunicação entre produtores e financiadores têm contribuído para o aumento das dificuldades financeiras no setor.
“Se o sujeito que tem o restaurante consegue fazer contabilidade, faturando menos de R$ 500 mil por mês, como alguém que fatura R$ 30 milhões, R$ 40 milhões por ano ainda entrega a nota no saco para o contador?”, disse Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, em painel do Congresso da Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários).
Para Fernandes, a organização de dados financeiros e operacionais deve ser uma das prioridades do produtor rural diante do atual cenário de crédito.
Segundo ele, a capacidade de apresentar de forma estruturada as informações do negócio é importante tanto para a avaliação de risco pelos bancos quanto para a negociação de dívidas quando surgem problemas financeiros.
Leia Mais Mesmo com Plano Safra, produtores precisarão reorganizar passivos, diz Agre Crédito rural piora enquanto mercado de capitais do agro avança, diz BC Renegociação é ponte, não solução para crédito no agro, segundo o mercado A falta de informações também tem impacto sobre a formação das taxas.
Fernandes explicou que, quando um banco estima uma perda de crédito, esse risco é incorporado à precificação das operações.
“Todo mundo, quando vai fazer esse orçamento, vai considerar 3% de perda, 4% de perda, vai colocar isso na margem”, afirmou.
Na prática, segundo o executivo, produtores que mantêm seus pagamentos em dia acabam arcando indiretamente com parte do custo gerado pela inadimplência de outros tomadores.
“Os bons vão pagar pelos maus”, disse.
A questão da gestão aparece em um momento de maior pressão sobre o crédito rural.
João Andrade, do Santander, afirmou que os juros elevados agravam as dificuldades do setor, mas avaliou que o problema do agronegócio é mais amplo e tem caráter estrutural.
“O juro para nós é um problema.
O problema do agro hoje é estrutural”, disse Andrade.
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