Morre Yayoi Kusama, aos 97 anos, a artista que transformou alucinações em bolinhas que conquistaram o mundo
Yayoi Kusama morreu em 14 de agosto, em um hospital de Tóquio, aos 97 anos.
A informação foi divulgada nesta quinta, 27, em seu site oficial , sem que a causa da morte fosse revelada.
Em nota, a família disse que ela “continuou a pintar até seus últimos dias, sem jamais largar o pincel”.
Nascida em 1929, em Matsumoto, no interior do Japão, Kusama cresceu em uma família conservadora e passou parte da infância costurando paraquedas para o Exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial.
Desde criança, via alucinações, flores, pontos e luzes piscantes que invadiam paredes, objetos e o próprio corpo.
Em vez de resistir, ela as transformava em pintura.
Assim nasceram as redes infinitas de pontos que atravessam suas obras mais emblemáticas.
Aos 27 anos, frustrada com o ambiente sufocante da sociedade japonesa, partiu para os Estados Unidos.
Lá, rapidamente se aproximou da vanguarda nova-iorquina dos anos 1960: organizou happenings, criou esculturas fálicas e chegou a escrever uma carta ao presidente Richard Nixon oferecendo fazer sexo com ele caso encerrasse a Guerra do Vietnã.
Nixon não respondeu.
O mercado de arte americano absorveu muito do que Kusama criou — e, muitas vezes, creditou a outros.
Andy Warhol , Claes Oldenburg e outros contemporâneos beberam de suas ideias sem reconhecer a fonte.
Ignorada, ela voltou ao Japão em 1973 e, em 1977, internou-se voluntariamente em um hospital psiquiátrico em Tóquio.
Ali viveria nas décadas seguintes, sendo levada diariamente de carro até o ateliê nas redondezas.
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