Executor de homicídio no MA diz que Daniel Brandão participou de 'emboscada' e que versão foi 'ensaiada' na polícia
Em depoimento à Polícia Federal, Gilbson Júnior — condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira em 2022 — afirmou que o crime ocorreu após uma espécie de "emboscada" que contou com a participação direta de Daniel Brandão, conselheiro e presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA).
Gibson Júnior relatou ainda que sua versão inicial sobre o caso foi "ensaiada na mesa do delegado" da Polícia Civil para proteger a família do governador Carlos Brandão.
Trechos do depoimento de Júnior constam na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento cautelar de Daniel Brandão do cargo por 180 dias.
Daniel é sobrinho do governador.
Nesta segunda-feira (17), o conselheiro divulgou um comunicado em que comenta o afastamento e afirma sua "absoluta inocência" (leia nota na íntegra abaixo).
Dino determina afastamento de presidente do TCE do MA A convocação e a 'emboscada' O executor foi ouvido pela Polícia Federal em fevereiro de 2026.
Segundo o relato, Daniel Brandão teria mantido contato telefônico direto para convocá-lo para uma reunião no Edifício Tech Office, em São Luís, que serviria para discutir ações do que a PF classifica como uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas.
Ao chegar no local, Gibson Júnior diz ter sido orientado por Daniel a entrar em um carro e ouviu do conselheiro: “Ó, é para fazer do jeito que o tio disse”.
Ao questionar o que estava acontecendo e se recusar a entrar no veículo, ele afirma que Daniel respondeu apenas que ele deveria "se resolver" e se retirou do local momentos antes dos disparos.
Júnior relatou que, ao perceber que seria morto pelo grupo, reagiu.
“Aí eu viro, eu tiro uma pistola de dentro da bolsa e eu viro, atiro nele pela frente”, contou sobre o momento em que baleou João Bosco.
Daniel Brandão, presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão Divulgação/TCE-MA Fraude no inquérito e 'pagamentos pelo silêncio' Ainda no depoimento, Gibson Júnior classificou o inquérito policial realizado no Maranhão como uma “fraude processual enorme”.
Segundo ele, a versão de que o tiro teria sido pelas costas foi inventada para incriminá-lo de forma mais grave e omitir o contexto da reunião.
“Eles colocam que quando o Bosco já estava andando de costas, eu atirei nele.
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