PM de Tarcísio: Tiros desnecessários e abusos são expostos em investigação
A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP), sob responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), abriu 928 procedimentos disciplinares no primeiro semestre de 2026 para investigar o mau uso de câmeras corporais por seus agentes, aumento de 208% em relação ao semestre anterior.
As apurações, registradas em relatório da Secretaria de Segurança Pública (SSP) finalizado em 20 de agosto, identificaram transgressões que vão de disparos de arma de fogo desnecessários à obstrução deliberada das lentes, expondo a persistência de condutas irregulares mesmo sob monitoramento.
Entre as condutas identificadas estão, além de disparos de arma de fogo desnecessários, condução imprudente de viaturas e falta com a verdade.
Há, também, registros de policiais que se apresentaram mal uniformizados ou com uniforme alterado.
Além dessas infrações de conduta, as apurações flagraram problemas diretamente relacionados ao manuseio dos equipamentos: obstrução das lentes durante ocorrências, baterias descarregadas, desvios propositais da câmera e falta de acionamento nos momentos exigidos.
Aumento de apurações e contexto das câmeras As irregularidades foram registradas pelo modelo atual de câmeras corporais da empresa Motorola, adotado pela PM-SP desde maio de 2025.
Diferentemente do modelo anterior, da Axon, que operava de forma ininterrupta, o equipamento atual exige acionamento manual pelo policial, o que abre margem para que gravações deixem de ser feitas justamente nos momentos mais críticos.
A Secretaria de Segurança Pública, na gestão Tarcísio de Freitas, afirma que o procedimento disciplinar aberto para apurar o manuseio das câmeras não se restringe às diretrizes de uso do equipamento e pode ser ampliado caso surjam indícios de outras transgressões às normas da corporação.
A pasta também defende que os dados do programa demonstram bom desempenho na produção de evidências para investigações e para o sistema de Justiça, e que a comparação do número de procedimentos precisa considerar a expansão das câmeras em operação: o total passou de 11,9 mil em dezembro para 15 mil em maio e junho, crescimento de 26%.
A SSP acrescenta que, somente em junho, foram gerados mais de 1 milhão de vídeos, e que 93,74% dos acionamentos entre agosto de 2025 e junho de 2026 foram realizados remotamente, sem depender da ação do policial.
A pasta ressalva, ainda, que a abertura de procedimento não equivale à confirmação de infração: “Parte das apurações mais recentes permanece em andamento”, diz a nota.
Consequências e desafios Das 928 apurações abertas entre janeiro e junho de 2026, apenas 175 foram finalizadas até o fechamento do relatório.
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