Blindagem: Produtora de “Dark Horse” tenta levar inquérito de desvios para STF
Os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil, acionaram o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para suspender ou avocar um inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investiga suspeitas de fraude em licitação de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo.
A defesa alega que a apuração estadual, batizada de Operação Wi-Fi, extrapolou seu escopo original e passou a mirar o financiamento do filme Dark Horse , cinebiografia de Jair Bolsonaro, tema que já estaria sob análise do próprio Mendonça no STF.
A petição apresentada ao ministro André Mendonça pede, em caráter liminar, a suspensão imediata do inquérito da Operação Wi-Fi e de todas as medidas investigativas a ele relacionadas.
No mérito, a defesa solicita a chamada “avocação” do processo: que o STF retire a investigação da primeira instância paulista e a concentre na Corte.
O argumento central é que a Polícia Civil de São Paulo teria desviado o foco da apuração.
Segundo os advogados de Karina, “a investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse “.
Para a defesa, esse objeto “atrai a competência absoluta” do STF, já que o mesmo tema estaria sendo apurado no Inquérito nº 5.070/DF, sob relatoria do próprio Mendonça.
O que a Polícia Civil de SP investiga A Operação Wi-Fi foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em 1º de junho , a partir de um inquérito instaurado em março pela 2ª Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
O caso nasceu de uma notícia de fato apresentada, inicialmente, ao Ministério Público Federal (MPF) e depois encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
O objeto declarado da investigação é um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado pela prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada a Karina Ferreira da Gama, para a implantação e manutenção de cerca de 5 mil pontos de Wi-Fi em comunidades da capital, o programa WiFi Livre SP.
A apuração mira crimes relacionados à contratação pública e ao emprego irregular de verbas.
A conexão com o filme surge porque, segundo a própria petição da defesa, o delegado responsável pelo caso registrou em pedido de Relatório de Inteligência Financeira a intenção de esclarecer a “origem do financiamento privado” de Dark Horse , levantando a suspeita de que recursos públicos do programa de Wi-Fi possam ter sido desviados para bancar a produção.
Karina e a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) negam irregularidades.
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