Juros futuros caem com leilão do Tesouro, quadro eleitoral e alívio nos Treasuries
Os juros futuros fecharam em forte queda nesta quinta-feira (8), com suporte de um combo de fatores que chegou a reduzir os trechos longos em até 20 pontos-base. Principal indutor, o maior leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional desde 2020, ao invés de pressionar a curva, acabou por aliviar as taxas, dado que o risco adicionado ao mercado foi menor que o antecipado.
Ainda sob o pano de fundo do ‘trade eleitoral’, a renda fixa local contou também com ajuda do exterior, após a curva de Treasuries ter invertido de alta para recuo. O retorno do título de 30 anos passou ao terreno negativo nesta tarde, na esteira de leilão bem-sucedido de papéis deste prazo, embora o petróleo tenha fechado com avanço superior a 4%.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,433%, no ajuste da véspera, a 13,451%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,43% no ajuste anterior a 12,320%, e o para janeiro de 2031 cedeu a 12,420%, de 12,589%.
As taxas aceleraram o ritmo de baixa no final da manhã, após o Tesouro anunciar os lotes do que foi o maior leilão de prefixados em volume financeiro neste ano e, também, desde dezembro de 2020, segundo cálculos da Warren Investimentos. A autoridade fiscal ofertou 35 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com colocação total do lote, e 7 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), das quais 5,82 milhões foram vendidas.
Expressiva, a oferta absorvida pelo mercado somou R$ 33,3 bilhões. Por outro lado, chamou a atenção de profissionais que o risco ao mercado não tenha acompanhado o volume: em US$ 1,32 milhão, o DV01 foi somente o terceiro maior deste ano. Com a expectativa de que o Tesouro fosse ainda mais ousado diante do ambiente mais favorável a risco, o leilão atuou nesta quinta como um vetor de queda, e não de pressão, sobre a curva de DIs.
“O leilão acabou sendo menor que o esperado pelo mercado em termos de risco, e foi bastante concentrado nos vencimentos curtos. Existia uma expectativa de que o Tesouro aproveitaria o momento para emitir na parte longa da curva. Então este acabou sendo um leilão muito grande em financeiro, mas não tão grande em risco”, aponta o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital.
Do total de LTN ofertadas, 20 milhões tinham vencimento em 2028 e 13 milhões, em julho de 2029, com apenas 2 milhões vencendo em janeiro de 2032. Já nas NTN-F, o lote total de 1,5 milhão de títulos previstos para 2037 foi absorvido, mas a colocação também se concentrou em horizontes mais próximos – o mercado absorveu 4,178 milhões de papéis para janeiro de 2031.
Sob anonimato, um estrategista relatou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que, ao conversar com fundos e a mesa de renda fixa de sua instituição, “a percepção é que o Tesouro seria ainda mais agressivo no leilão de hoje [quinta-feira]” e, com atuação mais moderada, os DIs passaram a recuar após a divulgação dos lotes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.