Começou o festival dos números e a conta é nossa
Candidatos apresentam números nas urnas em uma eleição festa será financiada com quase R$ 5 bilhões de reais de dinheiro público
Começou o festival dos números. Um por um, os candidatos estão apresentando as combinações que vão aparecer nas urnas. E já sabemos bem como tudo funciona. Brasileiro é expert em processo eleitoral.
Aquele pacote básico: musiquinha, bandeira balançando no semáforo, adesivo no peito com número estampado. Ah, ainda tem as camisetas promocionais (as malharias adoram) e agora, na era digital, os santinhos no post do Instagram. Para ser ainda mais atual e menos “cringe” adicionamos o Tik Tok nesta lista de plataformas eleitorais dos tempor modernos.
Daqui até outubro, vamos ouvir esses números quantas vezes forem necessárias para o candidato achar que convenceu. Tomara que a mesma facilidade sirva para lembrar o que cada candidato prometeu.
A política brasileira gosta de uma folia. Aliás, o brasileiro tem essa característica festeira. Quando não é carnaval ou Copa do Mundo, é o período eleitoral que vira motivo pra tocar corneta. Tem evento para dizer que vai ser candidato, evento para apresentar vice, reunião pra confirmar aliança e entrevista coletiva para contar o resultado da reunião. Tudo envolve muito dinheiro, cercado de protocolo, discurso, fotografia e gente sorrindo para alguém com quem, até outro dia, era adversário ou desafeto. Ah, a política.
É a “festa da democracia”, como costumam dizer. Pode até ser. Mas é uma festa cara.
Só o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, também conhecido como “Fundão Eleitoral” terá R$ 4,96 bilhões nas eleições de 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Dinheiro público destinado aos partidos para bancar as campanhas.
Não que a eleição deva ser feita de graça. Não existe almoço grátis, já dizia um antigo chefe que eu tive. Campanha custa dinheiro, e o financiamento público também existe para evitar que só os muito ricos ou os candidatos bancados por grandes grupos econômicos consigam disputar. Faz sentido. Também movimenta setores como gráficas, malharias, empresas de eventos e sonorização, comunicação e por aí vai. A lista é grande.
Mas R$ 4,96 bilhões continuam sendo R$ 4,96 bilhões. Estou usando as vírgulas neste texto pra não parecer exagero dizer “quase 5 bilhões”. Mas que é grana, isso é! E, quando se coloca tanto dinheiro numa eleição, o pacote vem completo. Jingles bregas, logomarcas feias (algumas até que são bonitas e criativas, convenhamos), mas é muito dinheiro pra pouco retorno, vamos concordar.
O problema é que é muito protocolo para pouco trabalho de verdade. Não significa que ninguém trabalhe. Seria injusto colocar todo mundo no mesmo saco. Mas o sistema político aprendeu a valorizar mais o discurso do que a entrega.
É só parar pra pensar: para a assinar a ordem de serviço de algo importante, tem cerimônia. A reunião pra formalizar o que já estava combinado nos bastidores ganha pose pra foto sair bonita na notícia. A promessa vem acompanhada de vídeo bem editado. Já o resultado, quando aparece, costuma ter efeito bem menor do que a repercussão inicial.
No meio dessa folia toda, o eleitor também entra no clima.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ndmais.com.br — o conteúdo pertence a ND+.