Galípolo defende Pix após ameaças dos EUA: 'virou patrimônio da sociedade'
O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, voltou a defender hoje o Pix, sistema de pagamentos instantâneos que foi citado pelos Estados Unidos como exemplo de práticas anticomerciais do Brasil para impor sobretaxar às exportações brasileiras. Durante a participação na 27ª Conferência Anual do Banco Santander, em São Paulo, ele alertou para riscos regulatórios em transações internacionais.
Galípolo classificou o Pix como um "case de sucesso fantástico". Questionado sobre a ofensiva dos EUA contra o sistema de pagamentos, o presidente do BC ressaltou que o modelo tem ampla aceitação da sociedade e virou vitrine internacional. "São poucos os casos em que a gente pode contar que países avançadíssimos falam: 'esse é um tema que eu quero aprender com vocês'", afirmou.
Pix é citado pelos EUA como prática de "concorrência desleal". A avaliação foi uma das motivações para a imposição de uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o sistema do Banco Central brasileiro prejudica as empresas de pagamento norte-americanas .
Presidente do BC afirmou que é preciso fortalecer estrutura que sustenta o Pix. Para isso, Galípolo disse ser necessário ampliar a estrutura do sistema para "acompanhar todas as inovações". Ele reforçou ainda a procura por instituições e outros bancos centrais para a interligação entre os sistemas de pagamentos dos países.
A interligação foi mencionada no último Relatório de Gestão do Pix. O documento divulgado na semana passada destaca que a união pode proporcionar mais eficiência e reduzir o custo das transações internacionais . As perspectivas vão desde a assinatura de acordos bilaterais até a participação em "hubs" multilaterais.
A interligação de sistemas de pagamentos instantâneos tem o potencial de diminuir as tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças. Relatório de Gestão do Pix
Galípolo disse que as novas infraestruturas ainda exigem cautela global. O presidente da autoridade monetária afirmou que a criação de sistemas paralelos de pagamentos internacionais pode ameaçar a estrutura de fiscalização global. "Talvez estejam surgindo infraestruturas paralelas que oferecem uma ameaça a toda a estrutura regulatória de fiscalização e supervisão que foi criada ao longo de décadas", alertou.
Ele ressaltou que as novas tecnologias não podem ter regras de segurança mais fracas. "A vantagem [das ferramentas] não pode ter um KYC [processo de verificação de identidade] não tão rigoroso", afirma o presidente do BC. Por isso, Galípolo reforçou a postura dos bancos centrais focada em segurança digital e fiscalização.
Há uma preocupação do ponto de vista de utilização das novas tecnologias para a cibersegurança, para a gente conseguir construir toda uma rede de defesa e conseguir aprimorar a supervisão, fiscalização, utilizando todas essas inovações tecnológicas. Gabriel Galípolo
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