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Um presente interminável e congelado matou o movimento do mundo

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Um presente interminável e congelado matou o movimento do mundo

O APUBHUFMG+ é o sindicato dos professores e das professoras da Universidade Federal de Minas Gerais. A Coluna do APUBHUFMG+ é mantida pela diretoria da entidade e conta com textos elaborados, principalmente, por docentes da UFMG. Os textos que compõem a coluna tratam de educação, ciência, tecnologia, cultura e artes, que, no conjunto, compõem o trabalho desenvolvido nas universidades.

Encontramos na literatura significados distintos para a palavra “presentismo”. Podemos compreendê-la como a impossibilidade de ver o passado que não seja pela percepção do presente; como a perda do passado como história e tradição, do futuro como ideal, e a condenação a um presente de curtição permanente; ou, ainda, como um presente dinâmico de transformação permanente e ininterrupto, como vivem os povos da floresta, acompanhando o movimento da vida em permanente mutação. Nada será como antes (Milton Nascimento) e nada do que foi será do jeito que a gente viu há um segundo (Lulu Santos).

Infelizmente, o presente se mostra congelado em uma curtição sem sentido, sem passado e sem futuro, sem valores e sem projetos. Outro dia, caminhando em direção da sala de aula, ouvi, sem querer, a conversa de alguns alunos do ensino médio que visitavam a PUC Minas para conhecer os cursos existentes e assim poder escolher seu curso superior. A conversa girava em torno de dinheiro, consumo, e qual curso poderia oferecer o acesso a este objetivo.

Pensei como, gradualmente, o mundo vai perdendo o sentido. Se antes, a escolha de um trabalho era vinculada ao espaço em que se vivia, a família, a um ideal, uma realização de valores, hoje tudo parece se resumir, para uma parcela expressiva de pessoas, em dinheiro.

Um ministro do Supremo Tribunal Federal deveria se satisfazer em ocupar uma função de guardião da Constituição. Poder guardar a Constituição, defender a República e a democracia é razão suficiente para preencher uma vida. Mas parece que para alguns (não são muitos) o principal é poder ter acesso ao luxo, sucesso, acesso a favores, viagens em aviões particulares, recepções e contratos de milhões para seus familiares.

O mesmo acontece com os representantes do povo. Deputados e senadores, e muitos candidatos a estes cargos, parecem buscar estas funções, não pela grande oportunidade de representar as pessoas e seus direitos, mas como trampolim para ter acesso a privilégios, jatos particulares, convivência com o poder econômico e suas benesses.

A República precisa de republicanismo. Mesmo que determinados comportamentos não sejam ilegais são absurdamente não éticos, desrespeitosos e comprometem o Estado de Direito e a vida em sociedade. Não pode ser correta uma sociedade que se fundamente no sucesso pessoal, na ganância e no desespero por obter dinheiro. Isto não vai funcionar. Um ministro de uma Corte Suprema deve ser um ministro da Corte Suprema. Não é correto utilizar sua passagem pelo cargo para ficar milionário. Isto está muito errado.

O desafio contemporâneo é o comedimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.

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