Novas vacinas contra chikungunya avançam no Brasil
Anvisa avalia imunizante sem vírus vivo, enquanto Butantan inicia produção nacional e pesquisadores da USP testam outra tecnologia em animais
Há mais de uma década, o vírus da chikungunya vem chamando a atenção de autoridades de saúde no Brasil e no mundo. Confirmada em 2014 no país, a arbovirose —transmitida pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Aedes— tem sido cada vez mais comum em todas as regiões brasileiras. Daí os esforços em busca de uma vacina.
Em maio, a Anvisa autorizou que o Instituto Butantan, em São Paulo, começasse a produzir a Butantan-CHIK. Desenvolvida em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, a vacina utiliza vírus vivo atenuado e está autorizada para pessoas de 18 a 59 anos com risco aumentado de exposição.
Embora a chikungunya tenha baixa mortalidade, ela pode ser incapacitante e deixar dores articulares por meses ou anos. “A repercussão clínica é muito desagradável e pode, em algumas circunstâncias, retirar a pessoa do trabalho ou de outras atividades” , afirma o infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, do Einstein Hospital Israelita. Por isso, a vacinação é uma estratégia relevante de saúde pública.
Em 2025, o Brasil notificou 129.123 casos prováveis de chikungunya, dos quais 107.975 foram confirmados, além de 121 mortes, de acordo com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) . Entre o fim do ano e o início de 2026, a entidade observou um aumento sustentado de casos em diferentes pontos das Américas e a retomada da transmissão local em áreas que não registravam a circulação do vírus havia vários anos.
Em nota enviada à Agência Einstein , o Ministério da Saúde informa que a imunização ocorre atualmente em uma estratégia-piloto, conduzida pelo Instituto Butantan com apoio da pasta. A iniciativa, criada para avaliar o impacto da vacinação em larga escala sobre a transmissão da doença, abrange municípios de Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e São Paulo. Cerca de 48.000 doses foram aplicadas até o momento.
O ministério não informou se existe um pedido em análise ou previsão para a oferta regular da vacina. De acordo com o órgão, a incorporação de novas tecnologias ao SUS (Sistema Único de Saúde) depende de parecer favorável da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), que avalia critérios como eficácia, segurança e custo-efetividade.
A vacina CHIKV VLP reproduz a estrutura externa do vírus sem carregar seu material genético. As partículas não infectam células, não se multiplicam nem causam a doença, mas são reconhecidas pelo sistema imunológico, que passa a produzir anticorpos contra o vírus. A ausência de vírus atenuado diferencia o produto da vacina do Butantan e pode ampliar as possibilidades de uso.
Imunizantes desse tipo tendem a oferecer maior segurança para grupos nos quais as vacinas vivas exigem cautela, como idosos e pessoas imunossuprimidas. “A gente tem um pouco de cuidado com a vacinação de indivíduos de 60 anos ou mais com vacinas de vírus vivos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.