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Deputados democratas buscam impedir acordo nuclear de Trump com Arábia Saudita

UOL Notícias ·
Deputados democratas buscam impedir acordo nuclear de Trump com Arábia Saudita

WASHINGTON, 17 Set (Reuters) - Os democratas da Câmara dos Deputados dos EUA manifestaram preocupação nesta quinta-feira com o acordo nuclear ​civil do presidente Donald Trump com a ​Arábia Saudita e afirmaram ter apresentado uma resolução de desaprovação com o objetivo de impedir que o acordo entre em vigor.

Trump enviou a proposta de acordo ao Congresso ​em agosto, abrindo ⁠um prazo de ​90 dias para análise pelos parlamentares e dando a ⁠eles a oportunidade de tentar aprovar uma ​resolução de desaprovação.

Democratas e defensores da não proliferação criticaram o pacto nuclear por não impedir a Arábia Saudita de enriquecer urânio ‌ou reprocessar resíduos nucleares, dois caminhos ‌potenciais para ​a obtenção de uma arma nuclear. Os Emirados Árabes Unidos concordaram com tais medidas, conhecidas como o “padrão-ouro”, em seu acordo nuclear civil de 2009 ‌com Washington.

“Uma região já assolada por conflitos e escaladas não precisa de mais uma potência nuclear”, afirmaram quatro democratas — Gregory Meeks, de Nova York, líder democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara; Brad Sherman e John Garamendi, da Califórnia; e Don Beyer, da Virgínia — em um comunicado.

O governo Trump afirma que o acordo contém as medidas de não proliferação exigidas por lei.

Não está ‌claro se a Arábia Saudita conseguirá fechar o acordo sem normalizar as relações com Israel. Trump afirmou que o pacto só entrará ​em vigor se Riad o fizer, mas assessores do Congresso disseram que não há nada no acordo que ‌trate dessa questão.

Membros do Congresso também pediram que todo o acordo — incluindo as “cartas paralelas” confidenciais firmadas com a Arábia Saudita — seja divulgado publicamente.

O acordo ‌nuclear de 30 anos prevê ‌a construção de reatores AP1000, um projeto no valor de dezenas de bilhões de dólares que beneficiaria ⁠a Westinghouse, de propriedade conjunta da Cameco, com sede no Canadá , e da Brookfield Asset Management .

Não está claro quando a Câmara poderá votar a resolução. O presidente da Câmara, Mike Johnson, dispensou os deputados na quarta-feira até depois ​das eleições de meio ​de mandato de 3 de novembro.

Além disso, embora o Congresso tenha aprovado dezenas de resoluções de reprovação ao longo dos anos, nenhuma resolução relativa à energia nuclear ou à cooperação nuclear civil jamais foi aprovada com sucesso.

De acordo com a Seção 123 da Lei de Energia Atômica de 1954, os acordos de cooperação nuclear para fins pacíficos entram ⁠automaticamente em vigor após 90 dias, caso o Congresso não tenha aprovado uma resolução ​de desaprovação para bloqueá-los.

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