Parecendo que estava no Ministério Público, diz Lula sobre perguntas no JN
O candidato à reeleição pelo PT e presidente Lula disse hoje, em entrevista à TV Globo, que se sentiu no Ministério Público após ter sido questionado sobre as investigações envolvendo o filho dele, o Lulinha, o escândalo do INSS e o suposto envolvimento do senador do PT, Jaques Wagner, com o banco Master.
"Eu acho que é a hora de falar porque eu estava parecendo que eu estava no Ministério Público", disse Lula após a apresentadora Renata Vasconcellos. Na sequência, ela mudou o tema das perguntas e passou para assuntos econômicos. O candidato brincou usando a metáfora uma vez que o órgão tem a função de fazer acusações formais na esfera criminal.
Lula respondeu sobre as investigações envolvendo o filho, Lulinha, o escândalo do INSS e o suposto envolvimento de Jaques Wagner com o banco Master. No segundo bloco, as perguntas tiveram como foco contas públicas, educação e segurança pública.
Primeiro tema abordado na entrevista foram os inquéritos da Polícia Federal que investigam Fábio Luís Lula da Silva. Lula disse que não há nenhuma acusação. "São ilações tiradas de telefonemas, eu conheço muito bem isso. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro", disse. "Ele sabe o que eu passei, portanto, ele tem obrigação de não ter feito erro".
Lula disse ainda que não protegerá o filho. "Só ele sabe a verdade, se ele fez erro ele terá de pagar, ele não será protegido por ser meu filho, meu irmão, nada. Não haverá da parte da presidência da República um milímetro de movimento para proteger meu filho", afirmou. Segundo Lula, se o filho for culpado ele terá de pagar.
Lula negou conhecer a empresária e lobista Roberta Moreira Luchsinger. Segundo o candidato, a atuação de Marcola "leva suspeita" para o governo. "Eu não sou precipitado, fui acusado de ter um apartamento que eu não tinha, fui acusado de ter uma chácara que eu não tinha, como eu não sou juiz eu vou com muita calma com isso. O caminho é um só: é o da investigação." O candidato disse que está deprimido. Segundo ele, Marcola era uma pessoa de "total confiança" por parte dele. "Por que ele não pediu dinheiro para mim".
"Até agora não está provado que o Wagner tenha relações com o Banco Master", disse Lula em sabatina à TV Globo. Candidato saiu em defesa do senador. "As pessoas são inocentes até que se provem ao contrário. Ele é senador da República. É um homem que tem relação comigo. Tenho consciência que o Wagner é honesto. Se ele cometer um desvio vai acontecer com ele o mesmo que com qualquer pessoa que cometei um desvio."
Relatório da Polícia Federal apontou relações entre ex-líder do governo Jaques Wagner e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também alvo das apurações. De acordo com os documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça , do STF (Supremo Tribunal Federal), Wagner e Lima conversaram por cinco horas e trinta minutos nessas ligações.
Nas investigações, a PF observou que o senador e o banqueiro tinham "nítida preferência" por conversas telefônicas, em vez de mensagens. Relatórios apontaram ainda que eles chegavam a se falar várias vezes no mesmo dia.
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