EUA notificam Brasil sobre apuração envolvendo avião e helicóptero de Trump
O NTSB (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos) notificou o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Força Aérea brasileira, sobre a investigação referente ao episódio em que o helicóptero que transportava o presidente dos EUA, Donald Trump, passou a pouco mais de 1 km de um avião comercial que havia decolado de um aeroporto de Washington.
Relatório preliminar da apuração, obtida pelo UOL, foi divulgado hoje pelo NTSB. No dia 4 de agosto, por volta das 14h34 (horário local), o helicóptero Marine One e um avião comercial modelo Embraer E-170, operado pela Envoy Air (subsidiária da American Airlines), ficaram mais próximos do que permitem as normas de segurança enquanto estavam a cerca de três quilômetros ao norte do aeroporto de Washington. Não houve feridos e ambos chegaram ao destino sem dificuldades.
Incidente ocorreu ainda quando o avião comercial estava iniciando a decolagem. O trabalho investigativo também é realizado pela FAA (Administração Federal de Administração dos EUA), Departamento de Marinha e a Envoy Air.
Cenipa foi notificado, seguindo o Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional. A convenção estabelece as normas e práticas internacionais recomendadas para investigação de acidentes e incidentes de aviação. No documento, o NTSB aponta que o Cenipa representa o "Estado de Projeto do avião Embraer E-170", ou seja, o país responsável pelo projeto e desenvolvimento da aeronave. Como o avião envolvido no incidente foi fabricado pela Embraer, uma empresa brasileira, o Cenipa representa o Brasil na apuração conduzida pelo NTSB. Não ficou claro se o Brasil deverá prestar informações aos órgãos norte-americanos.
Estimativa preliminar da FAA apontou que as duas aeronaves estavam a cerca de 1,31 quilômetro de distância lateralmente. O NTSB disse que ainda analisa todas as fontes de dados de vigilância para confirmar qual foi a maior aproximação entre as aeronaves. Em declarações, os tripulantes do avião comercial informaram que o Sistema de Prevenção de Colisão de Tráfego emitiu o alerta "tráfego, tráfego". Porém, a tripulação declarou não ter identificado visualmente a aeronave que motivou o aviso.
A investigação apontou que a torre de controle do aeroporto não recebeu os avisos da equipe da Casa Branca —feitos duas vezes— sobre o voo do helicóptero em que Trump estava. Na primeira tentativa, o comunicado não chegou até a torre e, na segunda, o sinal veio cortado e sem possibilidade de compreender.
Como não recebeu o aviso, a torre permitiu que o avião comercial decolasse. As aeronaves conseguiram se comunicar durante o voo e a tripulação do helicóptero conseguiu ter contato visual com o avião. Segundo o documento, o protocolo exige que a equipe do presidente avise a torre do aeroporto três minutos antes da decolagem, fazendo com que pousos e decolagens sejam interrompidos para a passagem da aeronave presidencial.
Não havia relatos de interrupções na frequência dos comunicadores no dia da intercorrência e técnicos da FAA reforçaram essa versão às autoridades aéreas.
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