Diretor do Ministério da Saúde aponta causas das filas durante visita a MS
As longas filas para exames, consultas e procedimentos especializados no SUS (Sistema Único de Saúde) continuam sendo um desafio em todo o país, incluindo Mato Grosso do Sul.
Em entrevista ao Campo Grande News , o diretor do Departamento de Estratégias para a Expansão e a Qualificação da Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Rodrigo Oliveira, afirmou que a situação é enfrentada por estados e capitais e exige uma reorganização de longo prazo da rede pública.
O diretor esteve em Campo Grande nesta quinta-feira (13) para cumprir agenda institucional e visitar estruturas que integram o programa Agora Tem Especialistas.
Entre os compromissos, esteve na carreta de exames de imagem instalada na Esplanada Rodoviária e no Instituto da Visão, na Chácara Cachoeira.
Segundo o diretor, a demora para conseguir atendimento especializado não é uma particularidade de Campo Grande.
“A questão das grandes filas, ela é um desafio nacional de todos os estados e também de todas as capitais”, afirmou.
A pandemia de covid-19 é apontada pelo Ministério da Saúde como um dos fatores que agravaram o problema.
Durante cerca de dois anos, parte importante da capacidade instalada do sistema foi direcionada ao atendimento das vítimas da doença, reduzindo a realização de procedimentos eletivos e, principalmente, de atendimentos de atenção especializada.
Com a redução desses serviços durante a pandemia, houve aumento da demanda reprimida, que continuou pressionando o sistema mesmo depois da fase mais crítica da emergência sanitária.
Para representante do Ministério da Saúde, no entanto, a pandemia não explica sozinha a dimensão das filas.
O país também passou por mudanças demográficas e no perfil de adoecimento da população nas últimas décadas.
População mais velha aumenta demanda - O diretor destacou que o Brasil aumentou em cerca de dez anos a expectativa de vida nos últimos 30 anos.
O avanço, segundo ele, também está relacionado ao sucesso do Sistema Único de Saúde, mas produz um efeito adicional sobre a rede: quanto mais a população vive, maior é a exposição a doenças que demandam acompanhamento médico, exames complexos e procedimentos especializados.
“Ao viver mais, a gente está mais exposto a doenças como câncer, a doenças cardiovasculares”, afirmou.
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