Amyr Klink recebe navegador que refez sua travessia 42 anos depois
Quando foi passar cem dias entre céu e mar, Amyr Klink não imaginava que um dia seria a motivação daquele desafio.
Quarenta e dois anos depois de completar uma das travessias mais marcantes da navegação brasileira, ele esteve em Salvador para receber Raphael Garcia, brasileiro que vive na Nova Zelândia e refez sozinho o percurso entre Lüderitz, na Namíbia, e o litoral baiano.Raphael atracou na Bahia Marina, no último sábado, 22, após 136 dias no mar, a bordo do barco Sater, embarcação batizada em homenagem ao cantor Almir Sater.
A chegada encerrou uma jornada iniciada em 8 de abril, na costa africana, pelo mesmo ponto de partida usado por Amyr em 1984.
Raphael Garcia e Amyr Klink - Foto: Uiler Costa-Santos Na época, Klink levou cem dias remando sozinho pelo Atlântico Sul até chegar à Praia da Espera, na Bahia.
A experiência deu origem ao livro Cem Dias Entre Céu e Mar, publicado em 1985, e transformou o navegador em uma referência da exploração marítima no Brasil.Raphael Garcia partiu inspirado pela travessia histórica de Amyr Klink.
Mais de quatro décadas depois, tornou-se a primeira pessoa a refazer o mesmo trajeto de forma solitária, segundo o próprio Klink.Ao longo da expedição, Amyr acompanhou a rota de Raphael por meio de sistema de rastreamento via satélite, e encontrou o navegador no píer da Bahia Marina, na Avenida Contorno.A preocupação com o último dia no marAntes da chegada, Amyr destacou que a reta final costuma ser uma das partes mais delicadas de uma travessia a remo.
Segundo ele, não basta cruzar o oceano: é preciso encontrar um ponto seguro para atracar, especialmente em um litoral com poucos locais abrigados."A parte que ele está fazendo agora é o último dia no mar, é a parte mais tensa de uma travessia num barco a remo, porque você tem que chegar num lugar abrigado.
O litoral baiano tem poucos lugares abrigados, o litoral norte da Bahia é muito aberto, tem barreiras de recife, tem poucos lugares acostáveis, muito poucos", explicou.
Barco de Raphael Garcia - Foto: Uiler Costa-Santos Amyr lembrou que, em sua própria travessia, fazia questão de encerrar o percurso em um local seguro.
Para ele, completar a viagem inclui o ato final de chegar, fundear ou amarrar a embarcação e desembarcar por meios próprios."Eu acho que ele vai ter que se esforçar para encontrar um lugar onde jogue a âncora.
Seria ridículo, eu pensei na minha viagem, chegar numa praia qualquer e largar o barco na zona.
Ele vai rolar, seria o fim da picada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.