Professores e trabalhadores de universidades argentinas anunciam greve contra políticas de Milei
Entidades de professores e trabalhadores das universidades públicas da Argentina, como o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) e a Federação Universitária Argentina (FUA), reúnem-se nesta segunda-feira (24/08) para preparar uma nova greve universitária no país contra as políticas do governo Milei para o setor.
A paralisação de 48 horas está prevista para a próxima quinta-feira (27/08). O ato é uma continuidade da greve realizada entre 18 e 22 de agosto, e classificada como “ilegal” e motivada por “razões políticas” pelo subsecretário de Políticas Universitárias do governo argentino , Alejandro Álvarez.
“Até que nossas reivindicações sejam atendidas , haverá greve. Legal e legítima, graças à força do corpo docente de nossa universidade e de todas as universidades nacionais”, respondeu a Associação Sindical dos Docentes da Universidade de Buenos Aires (AGD-UBA).
Ao convocar o ato desta semana, a Confederação Nacional de Professores Universitários (CONADU) garantiu que “as universidades públicas não se renderão”. Entre as principais reivindicações dos trabalhadores, docentes e estudantes universitários está o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, promulgada há mais de 300 dias no país.
Professores e trabalhadores de universidades argentinas anunciam greve contra políticas de Milei Vox España / Wikimedia Commons
A Lei nº 27.795, ratificada em outubro de 2025 e ainda não implementada pelo atual governo, estabelece recursos para despesas de funcionamento das universidades, salários e programas de bolsas de estudo. As entidades sindicais também acusam deterioração salarial e falta de repasses orçamentários para a manutenção cotidiana das instituições universitárias previstos na legislação.
Página 12 informa, com base em estimativas dos sindicatos, que desde a posse do governo Milei, em dezembro de 2023, os trabalhadores universitários perderam quase um terço do seu poder de compra. Para recuperar o patamar salarial daquele período, seria necessário um reajuste superior a 50%. Além disso, segundo o CIN, mais de 10 mil professores e pesquisadores deixaram seus cargos nas universidades desde a posse do ultradireitista.
As entidades afirmam que a política do atual presidente argentino, Javier Milei, está ameaçando o funcionamento do sistema universitário público e manutenção dos programas de bolsas de estudo. Na última sexta-feira (21/08), representantes do governo e das universidades públicas participaram de uma audiência em torno da implementação do financiamento, mas sem sucesso. Uma nova rodada de negociação foi marcada para 1º de setembro.
Na última sexta-feira (21/08), o presidente da Argentina confirmou, em entrevista à Rádio Mitre, que disputará a reeleição em outubro de 2027, e que dará continuidade às reformas econômicas e políticas implementadas por seu governo.
Segundo pesquisa da consultoria CEOP Latam, 52% dos argentinos se identificam atualmente como opositores ao governo Milei; 32% se declaram governistas e 15,1% se definem como independentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.