GaloLake: como sistema de dados do Atlético pode mudar o futebol brasileiro
Na ocasião do empate entre Atlético-MG e Chapecoense no último sábado (19), uma imagem viralizou nas redes sociais.
No telão, onde os torcedores estão habituados a ver os tradicionais números de público e renda, a Arena MRV expôs dados muito mais elaborados que o normal.
O “Galo Doido Informa” exibiu o número de crianças, de pessoas com mais de 60 anos, de mulheres, da origem dos presentes (cidades e estados) e até mesmo a quantidade de torcedores de “primeira viagem” (estreantes) que ocupavam a casa do Galo naquele dia.
Initial plugin text A cena chamou atenção e revelou um alto grau de sofisticação da sistematização de dados - para além da transparência inédita - que o Atlético-MG vem desenvolvendo desde a estreia da Arena MRV, em 27 de agosto de 2023, mas que só agora torna público.
Por trás, uma engenhosa ferramenta tecnológica: a GaloLake, uma plataforma que compila e cruza informações dos dados cadastrais do GaloID, o sistema de registro dos torcedores que, dentre outras finalidades, serve como base para o ingresso por reconhecimento facial - que virou lei no Brasil há três anos.
A partir do relatório gerado sobre os ingressos adquiridos para a partida, o programa realiza automaticamente a leitura dos dados e gera relatórios detalhados sobre as mais variadas características do público presente.
Através do sistema da GaloLake, o Atlético passou a reunir dados de diferentes sistemas do clube - ingressos, catracas, Galo Na Veia (sócio-torcedor), pagamentos, loja on-line, wi-fi, canais digitais -, reunindo mais de 550 tabelas e aproximadamente 1,8 bilhão de registros.
Esses dados são sistematizados e distribuídos para os diferentes setores da administração do estádio e da SAF, permitindo uma leitura mais completa dos resultados dos projetos executados ou, mais importante, onde é preciso elaborar novas ideias.
Como operar Para se ter uma ideia da profundidade dos dados, a GaloLake consegue hoje alcançar até mesmo os padrões de consumo de bebidas, alimentos e do uso do estacionamento da Arena MRV.
Nos 86 jogos realizados até a data do terceiro aniversário do estádio (27 de agosto), o clube sabia ter vendido 2.880.970 latas de cerveja, 272.008 chopps, 678.846 refrigerantes e 678.007 copos d'água.
Dentre os alimentos, registram-se mais de 190 mil porções de feijão tropeiro, 74 mil hambúrgueres e 40 mil cachorros-quentes.
O domínio sobre essas informações - que embora pareçam de menor importância - serve para o clube identificar potencialidades e fragilidades da gestão do seu estádio.
Isso, claro, relacionando com o dado concreto de uma média de 31.218 torcedores por partida.
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