Do jatinho aos R$ 130 milhões, Flávio e Moraes são irmãos em Vorcaro
Sejamos justos com o banqueiro Daniel Vorcaro: ele tratou o senador Flávio Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes com equidade. Um passeou em seu jatinho executivo, o outro também. Um pediu um repasse de R$ 130 milhões ao banqueiro, e a esposa do outro conseguiu com ele um contrato de R$ 130 milhões.
A questão que fica quicando na sala como um elefante num pogobol é se os apoiadores de Flávio estão sendo justos com o ministro do STF ao pedir sua cabeça enquanto fazem a egípicia diante do primogênito de Jair — mesmo que os caminhos de ambos possam mostrar, lá na frente, que eles são almas gêmeas em Vorcaro.
Reportagem de Breno Pires, da revista piauí, revela que o mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou Alexandre de Moraes em agosto de 2025, já havia servido de táxi aéreo para Flávio Bolsonaro, sua esposa e filhas em janeiro daquele mesmo ano, num voo entre Fort Lauderdale e Brasília. Vorcaro era um dos sócios da aeronave.
Logo após o vazamento do vídeo de Moraes desembarcando do avião, Flávio ignorou que suas próprias pegadas ainda estavam no carpete da cabine e foi às redes sociais atacar o ministro. Realmente, a melhor defesa é o ataque.
A grande diferença entre eles é que temos as mensagens que Vorcaro mandou para Moraes pedindo até ajuda para fugir do Brasil, mas não as respostas do ministro, que foram apagadas. Mas s áudios enviados de Flávio para o banqueiro e as respostas deste viraram hit. Neles, o senador cobrava insistentemente Vorcaro (a quem chamava de "irmão") pela liberação dos mais de R$ 130 milhões.
A justificativa oficial era bancar a cinebiografia "Dark Horse", sobre Jair, mas a Polícia Federal analisa se o dinheiro foi desviado para bancar as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos enquanto ele conspirava contra os interesses brasileiros. Por conta disso, aliás, o senador é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Os laços de Flávio com o clã Vorcaro garantiram até o uso de um apartamento de luxo de 158 m² na nobre Vila Nova Conceição, em São Paulo, como base estratégica e de gravação eleitoral. O imóvel pertencia a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Vorcaro, e foi vendido de forma absolutamente suspeita, com um deságio de R$ 2 milhões, para Willer Tomaz. O advogado, além de amigo íntimo do senador, era outro dono do jatinho e o acompanhou no voo. Zettel doou R$ 3 milhões para a campanha de Jair em 2022, sendo o maior doador individual.
Se a relação de Moraes com o banqueiro exige explicações sob os holofotes públicos, a de Flávio cobra o mesmíssimo rigor. Afinal, está claro que Vorcaro comprava com luxos e grana favores futuros para ele e seus negócios.
Contudo, os seguidores do senador insistem em enxergar o mundo com a mesma seletividade com a qual as mensagens eram vazadas do inquérito sob responsabilidade do ministro André Mendonça. Na visão deles, se o mimo cai no colo do magistrado inimigo, trata-se da prova irrefutável de que a República apodreceu e as instituições falharam.
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