Lula dispõe das condições para estabilizar dívida e derrubar juros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou as eleições gerais e governará o país pela quarta vez. Seu legado no campo social e econômico é inegável. Basta ver o reconhecimento internacional manifestado nos cumprimentos recebidos de diversas lideranças mundo afora, da esquerda à direita, após a divulgação do resultado das eleições. Venceu a democracia. Agora, é governar para todos, como ele mesmo disse no discurso da vitória, o que requer saber ouvir as críticas para corrigir os erros e avançar.
Lula tem a faca e o queijo na mão para realizar um bom governo, desde que corrija os erros e resolva o ponto vulnerável da economia nacional: a dívida pública elevada e os juros lunares. Não é tecnicamente difícil, mas é politicamente desafiador, sem dúvida. Muito embora não seja o lado fiscal o único responsável pelos juros pressionados, é ele o gatilho para um novo equilíbrio macroeconômico.
O plano para indicar as bases do ajuste fiscal ao longo dos próximos anos é urgente, porque os juros elevados se sustentam numa onda pessimista. Essa onda se retroalimenta pelo modesto, mas persistente, déficit primário (receita menos despesas, exceto juro). Mas, como toda onda, apesar de sólida, é passível de se desmanchar.
Ela também cresce em razão da dívida pública alta e crescente: já são 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto). Mas se trata de problema com solução. É para isso que lideranças experientes são eleitas, afinal. E Lula já demonstrou capacidade para comandar a economia quando o mar se apresenta revolto, como mostrarei com números logo em seguida.
Observe bem, caro leitor. Não estamos a falar de um ajuste abrupto nas contas públicas, mas de um plano anunciado e aprovado com celeridade, como venho defendendo. Quem financia o governo demanda previsibilidade, credibilidade e confiança. O plano deve ser elaborado e aprovado rapidamente. O ajuste deve ser gradual.
A semana após o 2º turno começou sob fortes pressões no mercado financeiro. Depois do otimismo do 1º turno, na esteira de uma apressada avaliação sobre o que aquele resultado parcial poderia representar, as barbas, agora, estão de molho.
Corrigem-se os preços e as expectativas, refazem-se as posições, calibram-se os cenários. É assim que funciona. Cabe ao governo mostrar sua força, por meio de nomes com credibilidade e programas econômicos bem-acabados.
Está correta a avaliação de que é preciso continuar e aprofundar o ajuste fiscal. Em 2023, Lula entregou um déficit primário de 2,4% do PIB, segundo as estatísticas abaixo da linha (calculadas pela variação da dívida), mas sob forte influência de precatórios herdados e dívidas que tiveram de ser saldadas com os governadores. Em 2024, o déficit já havia diminuído para 0,4% do PIB, oscilando a 0,5%, em 2025, e voltando a 0,4%, novamente, pela minha projeção para 2026.
Como se vê, não há um quadro de descalabro ou descontrole fiscal. O déficit primário é reduzido e estável. O problema é que a conta de juros se agigantou e, para debelá-la, será preciso retomar a geração de superávits primários em prazo razoável.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.