Gerdau prepara novos ajustes para elevar rentabilidade no Brasil
A Gerdau prepara novos ajustes em sua operação brasileira para aumentar a rentabilidade, ainda considerada insuficiente pela companhia mesmo após desinvestimentos e melhorias nas usinas. Segundo Gustavo Werneck, CEO da siderúrgica, as medidas adotadas até agora representam apenas uma pequena parte do que ainda pode ser feito para tornar o negócio mais competitivo.
O plano é coordenado por Rafael Japur, CFO (diretor financeiro) e de Relações com Investidores da Gerdau, e deverá ser detalhado no próximo Investor Day, no dia 4 de dezembro, evento em que a companhia apresenta suas estratégias e perspectivas aos investidores.
Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, Werneck afirmou que a empresa continuará buscando ganhos de eficiência independentemente do governo. Entre as medidas já adotadas, citou a saída de segmentos com baixa perspectiva de retorno, investimentos nas usinas e ampliação do portfólio de produtos.
"Independentemente de qual governo esteja, nós temos que fazer o nosso dever de casa", disse Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
A Gerdau pretende reduzir gradualmente as exportações brasileiras. Segundo Japur, a estratégia considera um cenário de maior oferta de aço chinês no mercado internacional, preços mais baixos e aumento das barreiras comerciais. Nesse ambiente, a companhia busca tornar sua operação no Brasil mais competitiva e menos dependente das vendas ao exterior.
Investimentos devem ajudar a reduzir custos e ampliar a eficiência. Japur citou a expansão da produção de bobinas laminadas a quente, utilizadas em setores como indústria e construção, o projeto de mineração de Miguel Burnier e o centro de reciclagem de Pindamonhangaba. Segundo ele, essas iniciativas fazem parte de um conjunto de medidas para melhorar a rentabilidade.
Custo elevado dos projetos também preocupa. Werneck afirmou que investir no Brasil ficou caro e que a companhia procura reduzir o valor necessário para ampliar sua capacidade de produção por tonelada. O executivo destacou que os projetos na América do Norte têm apresentado maior previsibilidade de prazos e orçamentos.
A Gerdau vê espaço para ampliar medidas contra importações de aço. Werneck afirmou que avanços na defesa comercial, na reforma tributária e na oferta de gás natural a preços mais competitivos poderiam ajudar a melhorar os resultados da operação brasileira.
Reeleição de Lula permite continuidade das negociações. O CEO avaliou positivamente a manutenção das discussões sobre defesa comercial com o atual governo. Segundo ele, a continuidade evita que a empresa precise reiniciar as conversas com uma nova equipe.
Empresa não quer depender de decisões do governo. Werneck considera que há espaço para ampliar medidas contra a entrada de aço em condições desleais de concorrência, mas ressalta que a recuperação da rentabilidade precisa ocorrer principalmente por meio de iniciativas internas.
"A gente não quer depender disso. A gente não pode depender disso", disse Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
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