MPF denuncia família de MG por envio de mais de 600 brasileiros aos EUA
O MPF (Ministério Público Federal) denunciou 12 pessoas de uma mesma família por integrarem uma organização criminosa transnacional que promovia contrabando de migrantes.
O grupo, sediado na região de Governador Valadares (MG), enviou ilegalmente pelo menos 673 brasileiros aos EUA. Segundo o órgão, as transações ocorreram entre 2017 e 2023, e estima-se que os criminosos tenham movimentado mais de R$ 40 milhões com a atividade.
O esquema era liderado por dois irmãos, aponta a denúncia. Eles cuidavam da captação das vítimas em Minas Gerais até a chegada à fronteira norte-americana, distribuindo tarefas e controlando os fluxos financeiro e logístico. Outros familiares participavam para lavar o dinheiro obtido de forma irregular e operar as contas destinadas a receber o dinheiro pago.
Agora, cabe à Justiça Federal aceitar ou não a denúncia. O MPF pede a condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.
A travessia clandestina custava entre R$ 50 mil a R$ 100 mil por pessoa. As vítimas eram obrigadas a entregar veículos, assinar notas promissórias, formalizar termos de confissão de dívida e outorgar procurações para a alienação de imóveis em favor de operadores do esquema, mostrou a investigação.
Suspeitos ainda obrigavam os viajantes a gravarem vídeos durante a jornada agradecendo pelo serviço. A estratégia era captar novos interessados, mas a realidade encontrada pelas autoridades era oposta: "Viajantes, incluindo crianças, eram submetidos a condições degradantes em casas de apoio superlotadas, expostos à privação de água e alimentação, além de risco real de violência, extorsão e sequestro por cartéis nas rotas clandestinas."
O grupo adulterava cartões de vacina e usava documentos de proteção humanitária falsificados para facilitar a entrada dos brasileiros no México. As investigações apontam ainda o envolvimento de operadores internacionais e de um "coiote", brasileiro radicado no México, que recepcionava os migrantes e organizava o trajeto terrestre para a travessia da fronteira.
Além disso, usavam o metódo conhecido como "cai-cai", em que adultos são incentivados a realizar travessias com crianças para reduzir o risco de deportação imediata. Ao chegarem ao destino, os brasileiros eram orientados a descartar passaportes, vistos e documentos falsos antes de se entregarem à imigração americana. Tnham ainda advogados custeados pelo grupo criminoso sob a condição de não entregarem o esquema criminoso.
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