Quem ganhar a eleição precisa conduzir o Brasil a ‘juros civilizatórios’, diz André Esteves
Controlador do banco BTG Pactual, André Esteves mostra otimismo em relação à capacidade do próximo governo de conduzir o país a juros estruturalmente menores — independentemente de quem ganhar a eleição marcada para outubro.
“Seja Lula , Flávio (Bolsonaro) ou qualquer outro candidato, existe um último passo a ser dado na consolidação do debate econômico brasileiro e fazer um legado muito grande para o presidente que assumir o próximo mandato: trazer o Brasil para juros civilizatórios”, disse durante evento do grupo Esfera Brasil com grandes empresários, nesta segunda-feira, 14, em São Paulo.
O banqueiro lembrou que a hiperinflação, que marcou a história econômica brasileira entre os anos 1980 e meados dos anos 1990, já foi vista como insuperável.
O Plano Real, contudo, revolucionou a economia nacional ao acabar com esse mal.
No caso dos juros estruturalmente elevados, a mesma lógica poderia ser aplicada.
“Não estamos condenados a viver com juros tão elevados”, disse.
Esteves acredita que, a partir de um ajuste fiscal, seria possível levar a taxa básica de juros, a Selic, de 14% ao ano (nível em que se encontra hoje) para algo próximo de 7% ao ano no próximo mandato presidencial.
“A gente levar esse juros para 7% é a transformação que a gente precisa”.
Ele argumenta que, caso esse objetivo seja atingido, o impacto positivo para a economia seria muito superior a um aumento dos investimentos públicos, que hoje giram em torno de 1% do PIB.
“O setor privado (sozinho) poderia investir mais de 20% do PIB (se tivéssemos juros menores)”, disse o dono do BTG.
Continua após a publicidade O ajuste fiscal necessário para fazer os juros caírem pela metade “ não precisa ser muito grande ”, segundo Esteves.
Nesse sentido, ele divergiu de parte do mercado financeiro ao alegar que o ajuste fiscal pode ser facilmente implementado, a despeito de qual for o próximo presidente do país.
“Acho que está facil de fazer.
Tem 50 economistas no Brasil qualificados para fazer isso acontecer, caras jovens”, disse.
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