Sobrinhos de Marcinho VP são presos por levar recados à cúpula do CV
A Polícia Federal prendeu hoje dois sobrinhos de Marcinho VP, apontado como um dos chefes históricos do CV (Comando Vermelho). A operação, conduzida em conjunto com o MPF (Ministério Público Federal), investiga a transmissão de mensagens entre o traficante preso e lideranças da facção em liberdade. Os nomes dos presos não foram divulgados.
Os dois sobrinhos são investigados por atuar como mensageiros do Comando Vermelho. Segundo os investigadores, eles faziam a ligação entre Marcinho VP, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, e integrantes da cúpula da organização criminosa.
Um deles se encontrava com Doca, um dos chefes do CV no Rio e foragido da Justiça, antes e depois de visitar Marcinho VP na prisão, segundo apurou o UOL. Em uma das conversas obtidas pelos investigadores, Doca perguntou ao familiar se havia conseguido transmitir uma mensagem ao tio. O conteúdo dos recados ainda é desconhecido.
A operação cumpre três mandados de prisão e dois de busca e apreensão. A Justiça determinou uma prisão preventiva contra Marcinho VP, que continuará na Penitenciária Federal de Campo Grande, e duas prisões temporárias contra os sobrinhos. As buscas ocorrem na capital fluminense e em Belford Roxo (RJ).
Um dos investigados ocupa cargo comissionado em uma Câmara municipal da Baixada Fluminense. Segundo a PF, ele adquiriu, nos últimos dois anos, patrimônio aparentemente incompatível com a renda declarada.
Doca afirmou a outros integrantes da facção que Marcinho VP continua no comando do CV, segundo apurou o UOL. A investigação também identificou mensagens entre Doca e advogados do traficante preso envolvendo pagamentos.
A defesa de Marcinho VP sustenta que ele não integra mais o Comando Vermelho. Os advogados tentam obter sua soltura, mas as mensagens analisadas pelos investigadores indicam que integrantes da facção ainda o reconhecem como liderança.
A investigação começou a partir de provas obtidas em uma operação contra o tráfico internacional de armas e drogas. O material foi compartilhado pelo MPF no Rio de Janeiro, responsável pela Operação Red Fox, que apura a entrada de armamentos de grosso calibre e drogas pela fronteira norte do país.
Marcinho VP está preso desde 1996 e acumula condenações por tráfico de drogas e homicídio. Ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande em janeiro de 2024.
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