Promessa de 'tesouraço' fiscal garante fôlego ao Ibovespa em dia de tensão global
Nem mesmo a disparada das cotações do petróleo e o clima de maior aversão ao risco no exterior foram capazes de segurar a bolsa brasileira nesta quinta-feira (8).
Embalado pela pauta fiscal e por novas sinalizações para o segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa avançou quase 1%.
O grande vetor de otimismo veio das sinalizações econômicas da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que lidera os levantamentos de intenção de voto.
Os investidores reagiram à notícia de que a equipe do candidato estuda uma proposta de contenção de despesas obrigatórias da União para viabilizar um ajuste fiscal inicial da ordem de 2% do PIB - o equivalente a R$ 250 bilhões em cortes.
Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, entre as medidas em estudo estão a desvinculação dos reajustes da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em relação aos ganhos reais do salário mínimo, além do fim dos pisos constitucionais para saúde e educação.
"O Ibovespa acelerou sua trajetória de alta após as falas sobre o 'tesouraço', forma como o mercado se refere às medidas de ajuste fiscal pretendidas para 2027.
Essa sinalização de equilíbrio fiscal faz com que investidores estrangeiros olhem para o Brasil com mais confiança, sendo o principal driver para destravar valor nas ações locais", avalia Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
“Como o mercado já vem apostando alto em uma vitória do Flávio no segundo turno, o que foi corroborado com a pesquisa do Poder Data, o mercado vem se animando”, acrescenta o especialista.
Nas ações, a forte queda dos juros futuros impulsionou os papéis mais sensíveis ao ciclo doméstico, como Vamos (VAMO3) e Magazine Luiza (MGLU3), que lideraram os ganhos da sessão.
Entre os pesos-pesados da bolsa, a Petrobras (PETR4) subiu 2,5%, beneficiada tanto pelo salto do petróleo Brent no exterior (acima de US$ 105 o barril) quanto pelo apetite dos investidores estrangeiros, que enxergam a estatal como a principal porta de entrada no mercado brasileiro.
Na contramão, a Vale (VALE3) recuou 1,5%, prejudicada pelas incertezas quanto à demanda por minério de ferro na China.
O alívio na curva de juros ganhou ainda mais tração após o Tesouro Nacional realizar o seu maior leilão de títulos prefixados desde dezembro de 2020, absorvendo R$ 33,3 bilhões em papéis.
Apesar do volume robusto, a estrutura do leilão surpreendeu o mercado.
O Tesouro concentrou quase 80% das emissões em vencimentos mais curtos (entre 1 e 3 anos), adicionando menos risco às taxas do que o antecipado.
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