Oitocentos milhões depois, a experiência chinesa ainda exige estudo sério
Em 23 de julho de 2026, o Conselho de Diretores do Banco Mundial discutiu em Washington sua nova estratégia de parceria com a China para o período 2026–2031.
O documento poderia ter aberto o diagnóstico pelo avanço tecnológico, pelos carros elétricos, pelos painéis solares, pelo comércio exterior ou pela condição chinesa de segunda maior economia do planeta.
Preferiu registrar logo no início uma transformação construída durante quatro décadas: mais de 800 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza.
Em agosto de 2026, considero esse número uma das informações econômicas e humanas mais impressionantes do nosso tempo.
Sua força aumenta porque continua sendo citado pelas instituições que medem a pobreza mundial muito depois de encerradas as campanhas que o produziram.
O presente torna essa história ainda mais relevante.
Em fevereiro, o FMI confirmou que a economia chinesa crescera 5% em 2025 e projetou expansão de 4,5% para este ano.
Kristalina Georgieva , diretora-gerente da instituição, estimou que a China responde atualmente por cerca de 30% do crescimento econômico mundial .
O país atravessa dificuldades conhecidas — demanda doméstica fraca, crise imobiliária prolongada, envelhecimento populacional —, mas continua ocupando posição decisiva na economia internacional.
A pobreza extrema caiu durante o mesmo ciclo histórico em que a China passou de país pobre e predominantemente rural a potência industrial capaz de influenciar preços, cadeias produtivas, comércio e tecnologia em praticamente todos os continentes.
É desse presente que olho para trás.
Meu interesse está numa questão que ultrapassa a China: como um país consegue fazer o crescimento atravessar a distância entre a conta nacional e a mesa de uma família pobre? O número que mudou o mundo Em 1º de abril de 2022, o Banco Mundial publicou, em parceria com o Ministério das Finanças chinês e o Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento do Conselho de Estado , o relatório Four Decades of Poverty Reduction in China .
Li suas conclusões procurando os mecanismos que sustentaram tamanho deslocamento social.
O estudo resulta de dois anos de pesquisas, trabalhos de campo em Ningxia e Zhejiang , análise de dados e debates com especialistas chineses e estrangeiros.
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