Quem defende quando todos já condenaram?
Na advocacia, existem perguntas que chegam antes mesmo do processo.
“Mas você vai defender esse cara?” “Você vai defender essa empresa?” “Depois de tudo o que aconteceu?” Talvez poucas profissões convivam tanto com uma confusão quanto a advocacia: a ideia de que defender alguém significa concordar com tudo aquilo que essa pessoa fez, pensa ou representa.
Não significa.
E talvez a semana em que se comemora o Dia do Advogado seja uma boa oportunidade para lembrar disso.
Defender quem é admirado é fácil.
Defender uma causa que encontra apoio social também.
Difícil é compreender a importância da defesa quando, do outro lado, está alguém que a sociedade, o mercado ou as próprias circunstâncias já decidiram que não merece ser defendido.
É justamente aí que a advocacia se torna indispensável.
Tenho muitos anos de profissão e, ao longo desse tempo, já vi essa situação assumir muitas formas.
O empresário que chega ao escritório quando sua empresa já virou sinônimo de fracasso.
A empresa em recuperação judicial que passa a ser chamada de caloteira antes mesmo que alguém compreenda o que aconteceu com aquele negócio.
O produtor que não conseguiu honrar uma obrigação e rapidamente passa a ser tratado como se tivesse agido de má-fé.
O sócio que, antes de apresentar sua versão, já foi transformado no responsável pelo fim da sociedade.
A família envolvida em um conflito no qual cada pessoa ao redor já escolheu seu lado.
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