Bandeiras israelenses em estrada do Líbano violam resolução da ONU, diz força de paz das Nações Unidas
BEIRUTE/JERUSALÉM, 17 Ago (Reuters) - As bandeiras israelenses hasteadas em uma importante rodovia costeira no sul do Líbano constituem uma violação de uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, afirmou nesta segunda-feira a força de paz da ONU no Líbano (Unifil), instando todas as partes a evitar “ações provocativas”.
As Forças Armadas de Israel invadiram uma faixa do sul do Líbano durante uma guerra com o Hezbollah no início deste ano, estabelecendo uma zona de segurança autoproclamada que, segundo o país, tem como objetivo proteger o norte de Israel de ataques do grupo apoiado pelo Irã.
Um vídeo publicado no domingo pelo jornalista Amit Segal, do Canal 12 de Israel, mostrou bandeiras israelenses hasteadas ao longo da estrada costeira entre Naqoura e Tiro, uma artéria principal do sul do Líbano e uma rota utilizada pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).
A Reuters conseguiu confirmar o local onde o vídeo foi gravado, mas não conseguiu verificar quando a filmagem foi feita. Segal disse à Reuters que recebeu o vídeo de soldados israelenses.
As forças de paz observaram várias bandeiras israelenses em território libanês, inclusive recentemente na estrada costeira e na vila de Naqoura, disse a porta-voz da Unifil, Kandice Ardiel.
Ardiel afirmou que as bandeiras israelenses constituem uma violação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pôs fim à guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah.
“Como sempre, apelamos às Forças de Defesa de Israel (IDF) e a todos os envolvidos para que cessem as violações da resolução e evitem qualquer ação provocativa que possa aumentar as tensões ou desencadear novas violações”, acrescentou Ardiel.
As Forças de Defesa de Israel (IDF), em resposta a um pedido de comentário, afirmaram que suas forças estavam “operando no sul do Líbano com o objetivo de eliminar as ameaças representadas pela organização terrorista Hezbollah aos civis israelenses e às tropas das IDF, de acordo com o direito internacional”.
“Israel não está agindo contra o Estado libanês nem contra seus cidadãos”, afirmaram.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou na semana passada que Israel não se retirará do sul do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado.
Um acordo mediado pelos Estados Unidos entre os governos do Líbano e de Israel prevê uma retirada israelense progressiva vinculada ao desarmamento comprovado do Hezbollah.
O Hezbollah, fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, se opõe veementemente às negociações de Beirute com Israel e descartou qualquer discussão sobre suas armas antes da retirada israelense.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que enfrenta eleições em outubro, citou a zona de segurança no Líbano como uma grande conquista ao visitar as tropas em 30 de junho.
A zona está praticamente vazia de civis libaneses, que fugiram de aldeias que agora estão praticamente destruídas.
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