Quem são? Censo revela retrato das 1,4 mil pessoas que vivem nas ruas da Capital
Um homem de 36 anos, que nasceu na fronteira com o Paraguai e trabalhou boa parte da vida como barman entrou numa estatística inédita feita em Campo Grande: a da população de rua.
Ele fala sem receio da atual situação, só esconde o rosto debaixo da camiseta quando a tosse ataca.
Ter passado dois anos ao relento facilitou para a pneumonia e a tuberculose.
“Estou terminando o tratamento e não transmito mais”, avisa logo.
Mais jovem, saiu de Ponta Porã e foi trabalhar numa churrascaria famosa da Capital.
Mudou-se para Florianópolis (SC) e também conseguiu emprego lá, mas o problema foi ter conhecido a cocaína e abusado do álcool na nova cidade.
Está acolhido numa Uaifa (Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias) de Campo Grande.
Comida, banho, roupas e cuidados de saúde estão garantidos.
O que falta, de imediato, é tirar outra carteira de identidade.
Se apressa em dizer que está se “integrando à sociedade novamente”.
Para ele, isso significa “tomar um trabalho, ter a vida profissional e a vida social de volta”.
Tirar pessoas da rua não é simples e nem é solução mágica para o problema social.
Mas como alguém que está perto de deixar a estatística, ele defende “suporte psicológico” como o mais urgente para quem segue na rua “querer viver de novo”.
Retrato - São 1.476 as pessoas vivendo em vias públicas ou em instituições de acolhimento de Campo Grande.
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