Universal é denunciada por 'desafio' com fiéis para influenciar as eleições
A Igreja Universal do Reino de Deus foi denunciada ao Ministério Público Eleitoral por suposto uso da fé para influenciar a eleição. O "Desafio de Neemias", campanha de 52 dias promovida pela igreja, é inspirado na história bíblica de Neemias, que liderou a reconstrução dos muros de Jerusalém. A iniciativa fala aos fiéis sobre a defesa da igreja, da família e de valores religiosos, mas os vídeos que apresentam o desafio também fazem referências a temas políticos, como a atuação de deputados evangélicos e críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O desafio prevê 52 dias de atividades para os participantes. A campanha começou em 13 de agosto e termina em 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições. Em um dos vídeos que apresentam a campanha aos fiéis, gravado em Jerusalém, o bispo Alessandro Paschoal e sua esposa, Michelle, apresentam a iniciativa fazendo uma comparação entre a reconstrução dos muros de Jerusalém e a necessidade de proteger, nos dias atuais, a igreja e a família.
Os apresentadores também abordam temas políticos. "Lá em Brasília, na Câmara dos Deputados, são projetos que sempre, a todo tempo, são barrados por servos, porque esses projetos trazem menções de temas que desqualificam tudo que nós acreditamos. Nós estamos em guerra. Guerra contra o mundo espiritual pelo reino de Deus. E a gente vai falar sobre isso porque a dor que eu sinto é a mesma dor que você sente, sem contar com como anda o nosso país. E essa dor faz gerar dentro de nós uma revolta pra reconstrução, como aconteceu com Neemias", afirma Alessandro Paschoal em um dos trechos.
Ele compara os defensores dos muros da antiga Jerusalém com pessoas que, segundo ele, deveriam combater projetos que representariam ameaças aos valores defendidos pela igreja. Paschoal e Michelle citam o STF e a pandemia de covid-19. O vídeo, de quase 50 minutos, sugere que o direito ao culto foi proibido durante a pandemia, reforçando, segundo o bispo, a necessidade de ter "representantes do corpo de Jesus" na política.
Na nossa Constituição está garantido o direito ao culto? Mesmo havendo um decreto presidencial que dava a autonomia aos templos para permanecerem abertos por ser um local de assistência emocional, de assistência espiritual e de atendimento de serviço social. E, se não tivéssemos representantes para brigar por esse direito da Constituição, os templos não teriam sido abertos. Os representantes do corpo de Jesus lutaram e reabriram os templos. Mas foi na luta, não foi automático. Então isso é um cuidado, porque os muros são para isso, proteger a liberdade do culto, proteger os valores que nós cremos, que nós acreditamos e que são muito importantes. Bispo Alessandro Paschoal
O bispo conta ainda o caso de um homem do Ceará que, segundo ele, teria perdido os pais para a covid-19. Paschoal afirma que o homem ligou para a igreja pedindo para participar de um culto, mas, ao saber que o templo estava fechado, cometeu suicídio.
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