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MP Eleitoral tenta barrar candidatura de mulher de chefe do CV

UOL Notícias ·
MP Eleitoral tenta barrar candidatura de mulher de chefe do CV

O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu a impugnação da candidatura de Mariana de Souza (PP-RJ) à Câmara dos Deputados. De acordo com o órgão, ela é mulher de chefe do Comando Vermelho e suspeita de envolvimento com o crime organizado.

Candidata tem "vínculos profundos com o alto escalão da organização criminosa Comando Vermelho", afirmou o MPE no pediu de impugnação. Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como "Zé Dirceu". Ele é identificado pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas como "o segundo" na hierarquia do CV no estado.

"Wilson é um criminoso de alta periculosidade", disse o procurador eleitoral Flávio Paixão de Moura Júnior. Ele foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por tráfico de drogas, e a 12 anos e 7 meses por associação para o tráfico. Wilson está foragido.

Também de acordo com o procurador, Mariana atua para "blindar o seu companheiro". No documento enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), citou que a candidata à Câmara esconde o rosto do marido em posts nas redes sociais "para inviabilizar capturas", o que "demonstra plena ciência de sua condição" e "revela verdadeiro auxílio direto à organização criminosa".

MP Eleitoral afirmou terem sido identificadas estruturas para lavagem de dinheiro do tráfico em empresas ligadas a Mariana e nos dados financeiros dela. Cita que a candidata do PP opera seis contas bancárias, que serviriam para fracionar dinheiro do tráfico e dificultar a identificação de sua origem. Segundo o MP, esses valores "financiam seu elevado padrão de vida".

Mariana também mantém uma ONG no Complexo da Penha, onde mora. "A atuação da ONG em redutos controlados pela facção, como a Vila Cruzeiro e o Parque Proletário, ocorre necessariamente com a prévia ciência e autorização das lideranças do tráfico local, dada a restrição de acesso a esses territórios", pontuou.

Para o promotor, a candidatura de Mariana representa ameaça ao Estado Democrático de Direito. Isso porque, nas eleições de 2024, — quando concorreu ao cargo de vereadora, mas não foi eleita — 81,3% dos votos dados a ela foram registrados em bairros sob o domínio do CV, "caracterizando a existência de um 'curral eleitoral' assegurado pela coerção armada sobre os moradores". Além disso, as doações para sua campanha eleitoral também vieram das mesmas áreas.

As fartas evidências e elementos amealhados apontam para um grave risco de infiltração institucional, indicando que o mandato eletivo serviria como um braço da referida facção no Poder Legislativo para beneficiar atividades ilícitas. MPE

Defesa de Mariana nega envolvimento com o crime. Os advogados alegaram falta de provas, pediram análise individualizada e disseram que atos praticados por familiares não fazem de Mariana uma criminosa. Também apontaram a necessidade de "evitar a inversão lógica de que residir em uma comunidade onde existe a presença de trafico, torna a investigada uma criminosa, ou com vínculo criminoso".

O fato de viver em comunidade no Rio de Janeiro, não pode ser uma base para ser integrante de facção criminosa, ou ser conivente ou ter envolvimento com eles. (...) Agora morar não é se envolver.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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