Um mundo coberto por centenas de vulcões muda de aparência entre passagens de sondas porque sua superfície é continuamente refeita por erupções
A lua de Júpiter é deformada pela gravidade, aquece seu interior e mantém um vulcanismo tão intenso que renova a superfície continuamente
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Vista de longe, Io parece apenas mais uma lua de Júpiter, mas sua paisagem está entre as mais instáveis do Sistema Solar. Os vulcões de Io transformam a superfície de forma contínua , espalhando lava, cinzas e depósitos de enxofre que apagam marcas antigas e fazem o terreno parecer diferente sempre que novas imagens são registradas por sondas espaciais.
Io é considerada o corpo mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar. Em vez de conservar crateras de impacto por bilhões de anos, como acontece em muitas luas, sua superfície é renovada com tanta frequência que grandes crateras quase não permanecem visíveis por longos períodos.
Essa renovação ocorre porque materiais eruptivos recobrem áreas antigas com novos depósitos. Plumas lançam partículas para longe, fluxos de lava preenchem depressões e extensas planícies ganham novas cores e texturas. Por isso, a lua pode apresentar mudanças perceptíveis entre uma missão e outra.
A principal fonte de energia não é radioatividade interna, como na Terra, mas o aquecimento de maré. Io orbita muito perto de Júpiter e sofre um forte “puxa e empurra” gravitacional. Além disso, Europa e Ganimedes perturbam sua órbita e impedem que ela se torne perfeitamente circular.
Com isso, Io é comprimida e distendida continuamente. A deformação gera atrito no interior e produz calor, mantendo material rochoso parcialmente fundido e alimentando a atividade vulcânica. Em alguns pontos, a superfície sólida pode subir e descer cerca de 100 metros por causa dessas forças.
O vídeo mostra uma visita animada a Io com base em dados da missão Juno.
A primeira grande surpresa veio com a Voyager 1, em 1979, quando cientistas identificaram plumas eruptivas elevando material acima da superfície. Depois disso, missões como Galileo, New Horizons e Juno registraram novas mudanças, pontos quentes, lagos de lava e grandes centros eruptivos distribuídos por toda a lua.
Essas observações mostraram que a atividade não é uniforme. Alguns vulcões lançam plumas gigantes, enquanto outros formam extensos derrames de lava ou mantêm lagos de lava persistentes. A combinação de estilos eruptivos ajuda a explicar por que a aparência da superfície muda de forma tão rápida e variada.
A comparação ajuda, mas tem limites importantes. Em Io não existe tectônica de placas como a terrestre, e a energia dominante vem das marés gravitacionais, não do calor interno residual e da radioatividade como principal motor. Além disso, a superfície exibe forte presença de enxofre e dióxido de enxofre, o que influencia as cores e parte dos depósitos observados.
Ainda assim, o estudo de Io ajuda a entender vulcanismo em condições extremas. A própria NASA resume essa atividade e destaca que a lua possui centenas de vulcões, alguns capazes de lançar fontes de lava a grandes alturas, em https://science.nasa.gov/jupiter/jupiter-moons/io/ .
Io tem pouco mais de 3.600 quilômetros de diâmetro, sendo apenas ligeiramente maior que a Lua da Terra, mas abriga centenas de vulcões ativos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.