O país da supersafra começou a parcelar o jantar no aplicativo
Há algo de curioso no Brasil de 2026. Enquanto o país comemora mais uma safra recorde, o iFood passou a permitir que seus clientes parcelem uma refeição em até seis vezes. Com juros, claro. Uma pizza pedida hoje pode continuar aparecendo na fatura quando ninguém mais se lembrar do sabor. Em seis parcelas, testes com a ferramenta encontraram custo adicional de até 8,36%.
Parcelar não é novidade para o brasileiro. Fazemos isso com carro, geladeira, celular e quase tudo que aceite um cartão de crédito. Há alguma lógica quando se trata de um bem que será usado por anos. Comida é um pouco diferente: compra-se, come-se e acabou. Parcelar o jantar é usar a renda de outubro, novembro ou dezembro para pagar algo que desapareceu em agosto. A engenharia financeira brasileira continua criativa.
E ela chega num momento especialmente “oportuno”. Em julho, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas, maior percentual da série histórica da Confederação Nacional do Comércio.
No mesmo mês, 75,08 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, quase 45% da população adulta. A tecnologia encontrou uma solução simples para a falta de dinheiro presente: permite gastar também o dinheiro que ainda não chegou.
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