Gigante de vidro marcou a transformação de Goiânia
No encontro das avenidas Goiás e Anhanguera, um prédio atravessa mais de seis décadas acompanhando a transformação de Goiânia. A antiga sede do Banco do Estado de Goiás (BEG), diante da Praça do Bandeirante, surge em uma capital que começava a crescer para cima e incorporava novas linguagens à arquitetura.
O edifício aparece no momento em que a cidade deixava a escala predominantemente horizontal de suas primeiras décadas. Por isso, sua história ultrapassa a trajetória do banco que funcionou naquele endereço.
Projetado no início dos anos 1960 por Eurico Calixto de Godoi e Elder Rocha Lima, o edifício integra a consolidação da arquitetura moderna em Goiás. Estudos sobre a experiência da arquitetura moderna no Cerrado goiano colocam a produção desses profissionais dentro da transformação arquitetônica vivida pela capital naquele período. A implantação no encontro de duas das principais avenidas de Goiânia ampliava a presença do edifício na paisagem. Arquitetura, instituição financeira e expansão urbana se encontravam no mesmo endereço.
Quando o BEG ganha sua sede definitiva, Goiânia ainda era uma capital jovem. A cidade construída a partir dos anos 1930 concentrava governo, comércio, hotéis e espaços de convivência em torno do núcleo planejado, com a Avenida Goiás exercendo papel central nessa organização. Na primeira fase da capital, a arquitetura Art Déco tornou-se uma das marcas da paisagem. Hoje, Goiânia possui um dos principais conjuntos Art Déco do país, com bens protegidos concentrados principalmente na região central.
Um dos símbolos daquela primeira Goiânia permanece na própria Avenida Goiás. Inaugurado em 1937, o Grande Hotel participou dos primeiros anos da construção social e cultural da capital, recebendo bailes, encontros políticos, autoridades e visitantes, como já mostrou o Mais Goiás . Era uma cidade que ainda construía sua identidade e consolidava o novo centro administrativo de Goiás. O BEG aparece algumas décadas depois, quando o desafio urbano já havia mudado.
A comparação entre os dois edifícios ajuda a compreender essa passagem. O Grande Hotel pertence à Goiânia que estava nascendo, enquanto o BEG registra uma cidade que começava a assumir outra escala. Entre os dois momentos, a população cresce, a atividade econômica se diversifica e novas construções passam a disputar espaço no horizonte. Goiânia começa a olhar para cima.
Nas décadas de 1950 e 1960, a arquitetura moderna ganha espaço na capital. Concreto, vidro, linhas horizontais e novas soluções construtivas passam a dividir a paisagem com os edifícios das primeiras décadas. O antigo BEG aparece dentro desse processo e leva essa linguagem para uma das esquinas de maior circulação da cidade. O prédio se torna parte da mudança física e simbólica do Centro.
A verticalização avançaria nas décadas seguintes e produziria outros marcos. Em 1976, o Parthenon Center marcou outra etapa da transformação urbana de Goiânia, com 22 pavimentos e aproximadamente 46 mil metros quadrados de área construída, conforme mostrou o Mais Goiás . O complexo foi construído no terreno anteriormente ocupado pelo Mercado Central.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.maisgoias.com.br — o conteúdo pertence a Mais Goiás.