Financeira liquidada pelo BC captou com fundos da Carbono Oculto
A Simpala, conglomerado financeiro liquidado pelo Banco Central nesta sexta-feira, captou recursos com o Zeus e o Pix Card, fundos de direitos creditórios investigados na Operação Carbono Oculto .
A holding do grupo vendeu recebíveis ao Zeus a partir de novembro de 2025, três meses depois de a operação policial apontar o fundo como parte de uma cadeia de suposta lavagem de dinheiro e crimes financeiros.
Nesta sexta-feira, foram liquidadas a Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios Ltda. e a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, ambas em Porto Alegre —as empresas foram procuradas, mas não responderam.
Na decisão, o BC citou "graves violações às normas" que regem a atividade das duas empresas e dificuldade financeira que colocava em risco os credores sem garantia.
Segundo fontes ouvidas pelo UOL , a instituição financeira estava usando o dinheiro captado com investidores em operações circulares, em negócios entre empresas relacionadas, para produzir lucros artificiais e "pedalar" suas contas.
Procurada, a Simpala negou que tenha havido cessão de ativos ou de taxa de administração ao Fundo Zeus ou à Pixcard, mas não mencionou a cessão de direitos creditórios realizada pela holding da Simpala, sobre a qual havia sido perguntada.
"Nunca houve cessão de ativos pela Simpala Financeira e, tampouco, cessão de taxa de administração pela Simpala Administradora de Consórcios ao Fundo Zeus ou à Pixcard. Esse fato é incontroverso e está documentalmente comprovado por registros contábeis e contratos disponíveis para verificação."
Após reduzir sua participação no Fundo Zeus, em fevereiro deste ano, a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento começou a vender recebíveis ao fundo de outra empresa investigada na Carbono Oculto, a Pix Card Consig.
Em Mato Grosso, a Pix Card movimentou R$ 2,46 milhões em empréstimos consignados. A empresa foi credenciada pela Secretaria de Planejamento e Gestão do estado em fevereiro de 2024, e o MP-MT (Ministério Público de Mato Grosso) apura fraudes no setor.
Em nota publicada três dias após a operação, a Pix Card afirmou atuar no mercado de crédito público consignado e disse que suas operações seguem as normas municipais, estaduais e federais.
Em um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), ceder recebíveis é a forma de captar: a empresa (nesse caso, o grupo Simpala) vende ao fundo o direito de receber pagamentos futuros.
Os informes entregues à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mostram a Simpala Holding Financeira como maior cedente do Fundo Zeus em cinco meses seguidos, de novembro a março deste ano.
O pico foi em dezembro, quando a Simpala respondeu por 32,37% dos direitos creditórios desse tipo no fundo. Pelos valores declarados no informe, isso equivale a cerca de R$ 14,7 milhões.
Não é possível saber quanto Zeus ou Pix Card pagaram à Simpala por esses direitos, mas era através desses aportes que a instituição financeira tentou se manter de pé.
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