Autismo nível 1 também é deficiência, e condição não deve ser diminuída
Para que uma pessoa autista seja reconhecida e receba o devido diagnóstico, três dimensões de aspectos devem ser observadas, os critérios A, B e C do DSM, o manual diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria, amplamente utilizado no mundo todo.
Esses critérios visam abarcar as nuances de como as pessoas autistas interagem nas relações com outras pessoas ( critérios A ), como elas organizam seu espaço e tempo, geralmente de maneira inflexível, com grande necessidade de previsibilidade, rotinas fixas e ritualizações, além de como manifestam a necessidade de se regular emocionalmente a partir de estímulos sensoriais e movimentos do corpo ( critérios B ).
Por fim, esses aspectos têm de estar presentes desde a infância, posto que é uma condição genética e, na maioria das vezes, hereditária, e gerarem prejuízos funcionais para essa pessoa ( critérios C ).
Esses prejuízos podem ser de diversas ordens: Desafios em iniciar, sustentar e manter relações ao longo do tempo; Desafios na capacidade de interpretar sinais sociais que, geralmente, pela maneira literal de compreenderem a linguagem e os comportamentos, fazem com que essa pessoa seja mais crédula e ingênua, podendo predispô-la à risco de abuso psicológico, sexual, físico, financeiro; Desafios para lidar com a disfunção pragmática que pode advir da adesão a esses comportamentos repetitivos, que podem consumir tempo e energia, embora estes também sirvam a regulá-la para que possa justamente manter-se disponível para as interações e execução de tarefas.
Continua após a publicidade São esses desafios que determinam a deficiência observada e caracterizam a pessoa autista como PCD (pessoa com deficiência) .
O fato de que essas deficiências sejam manifestas no comportamento, ou seja, de maneira invisível, não facilmente observável como a falta de um membro, por exemplo, faz com que comumente as pessoas julguem esses desafios como falta de educação, frescura, exagero .
O moralismo assume o tom e oblitera a visão clínica e compreensão de que a pessoa age assim por necessidade e não por vontade.
Uma vez reconhecido esse perfil, que varia enormemente de pessoa para pessoa, pela observação clínica, entrevistas com familiares e testagens específicas, o diagnóstico é realizado.
Depois disso é feita a distinção entre o nível de suporte necessário para a condução da vida cotidiana desta pessoa.
Continua após a publicidade Neste momento chegamos à diferenciação sobre os níveis 1 ( pouca necessidade ), 2 ( necessidade moderada ) e 3 ( necessidade intensa e constante ).
Esses níveis não são fixos e a mesma pessoa pode transitar de um ao outro em fases de sua vida, a depender da estrutura de apoio, terapias realizadas e crises atravessadas neste decorrer.
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